Desde que assumiu o poder em 2012, Xi Jinping tem promovido uma série de expurgos no alto escalão militar da China. O mais recente, no início deste mês, gerou grande repercussão ao envolver o general Zhang Youxia e seu imediato, Liu Zhenli, ambos da Comissão Militar Central, a principal instância de comando do Exército de Libertação Popular. A motivação por trás dessa decisão ainda não está clara, mas investigações indicam que Zhang foi acusado de vazar segredos nucleares para os Estados Unidos, um crime considerado grave no país.
A nova onda de demissões tem gerado mistério entre as autoridades americanas. Relatórios da inteligência dos EUA sugerem que Xi demonstra um nível crescente de paranoia, o que pode ter contribuído para os recentes afastamentos. O analista militar da reserva Paulo Roberto da Silva Gomes Filho observa que a demissão de Zhang e de muitos outros generais nos últimos anos é uma situação sem precedentes nas últimas quatro décadas.
Xi tem derrubado a maioria dos generais da Comissão Militar Central, usando a política anticorrupção como justificativa. No entanto, essa campanha de demissões também serve para reafirmar seu controle absoluto, eliminando possíveis ameaças políticas dentro do Partido Comunista Chinês. Em outubro, nove generais de alta patente foram removidos, incluindo membros da Comissão Militar Central, reforçando esse padrão.
Análises indicam que os expurgos reduziram a Comissão Militar Central de sete para apenas dois membros desde 2023, transformando-a em uma extensão da vontade de Xi. Essa centralização de poder traz riscos, pois pode isolar o líder ou cercá-lo de bajuladores, levando a erros de cálculo militar. Embora a investigação inicial sugira que os afastamentos estão relacionados ao descumprimento da lei, Zhang e Liu não foram formalmente acusados de corrupção, o que contrasta com casos anteriores envolvendo outros oficiais do Exército.
