O vice-ministro das Relações Exteriores de Teerã, Majid Takht-Ravanchi, confirmou a realização de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, marcada para a próxima terça-feira em Genebra. Em entrevista, ele destacou que o país islâmico está disposto a discutir restrições ao enriquecimento de urânio, mas somente se Washington reduzir as sanções impostas. Takht-Ravanchi excluiu a possibilidade de o Irã abandonar completamente o enriquecimento, classificando isso como uma violação ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
Ao mencionar mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, o diplomata afirmou que ainda não é possível definir o desfecho das conversas quanto a essa quantidade. Dias antes, o presidente da Organização de Energia Atômica do país, Mohammad Eslami, havia sugerido diluir o material caso as sanções fossem suspensas pela potência norte-americana. A proposta, no entanto, não foi detalhada durante as negociações indiretas que retornaram em fevereiro após um período de tensões, incluindo ataques israelenses e americanos.
Takht-Ravanchi reafirmou ainda a rejeição iraniana a tratar do programa de mísseis balísticos, citando a necessidade de preservar capacidade defensiva após conflitos recentes. O posicionamento contrasta com a postura dos EUA, que buscam limitar o alcance desse programa como parte de suas demandas. O porta-voz da equipe iraniana de negociações, Hamid Ghanbari, alertou em comunicação que um acordo nuclear sustentável depende de concessões norte-americanas significativas.
Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump reiterou preferência por soluções diplomáticas, ao mesmo tempo em que enviou um segundo porta-aviões ao Oriente Médio e declarou que uma mudança de regime no Irã seria favorável. Apesar das ameaças militares, ambas as partes qualificar como positivos os diálogos indiretos, mediados por Omã, e planejam nova reunião em breve para superar divergências sobre mísseis e apoio a grupos regionais. Teerã mantém resistência em discutir temas ligados ao Hezbollah e ao Hamas, rejeitados por Washington.
