A operação realizada pelo Ministério Público francês na sede do X, em Paris, para investigar supostas irregularidades no uso de algoritmos e no funcionamento da ferramenta de inteligência artificial Grok, é mais um episódio que demonstra o aumento da pressão de governos europeus sobre as plataformas de redes sociais.
No começo deste mês, autoridades francesas convocaram o dono, Elon Musk, e outros executivos do X para prestar esclarecimentos. A empresa, por sua vez, classificou a operação como um “ato judicial abusivo” e afirmou que a medida teve “motivações políticas”.
O caso ocorre em um contexto mais amplo de endurecimento das regras digitais no continente. Nos últimos anos, a União Europeia (UE) ampliou seu aparato de vigilância digital com o objetivo de combater a disseminação do que classifica como “notícias falsas” e o chamado “discurso de ódio” nas redes sociais. As medidas têm sido criticadas, especialmente nos Estados Unidos, pelo risco de censura indireta que pode atingir outros países.
O bloco europeu, com apoio da maioria de seus países-membros, desenvolveu um conjunto de regras e regulações que impõem obrigações diretas às grandes redes sociais, ampliam a supervisão estatal sobre algoritmos e publicidade digital e preveem multas bilionárias em caso de descumprimento.