As eleições presidenciais em Portugal confirmaram a vitória do socialista António José Seguro, mas também revelaram um dado incontornável: o avanço expressivo da direita conservadora no país. Pela primeira vez em décadas, o sistema político português foi tensionado por uma candidatura que rompeu o tradicional revezamento entre socialistas e sociais-democratas e levou a disputa ao segundo turno.
Para Marcus Santos, deputado do partido Chega, o crescimento eleitoral da direita em Portugal foi um resultado histórico. Ele lembra que o presidente do partido Chega, André Ventura, inicialmente não queria concorrer, mas decidiu avançar diante da falta de um nome forte que representasse de fato os portugueses conservadores e de direita contra o candidato socialista. "Foi uma eleição muito renhida", afirma Santos.
O partido Chega alcançou um resultado histórico de 33,2% dos votos, superando o partido que atualmente está no poder. "Se esse resultado fosse de uma eleição legislativa, o Chega teria margem real para governar", afirma Santos. Ele também destaca que a vitória do socialista António José Seguro foi apoiada por todos os outros partidos, inclusive o PSD, que se apresenta como centro-direita, mas sempre foi um partido de centro-esquerda.
Para Santos, o resultado das eleições em Portugal tem importantes implications para o cenário político do futuro. "Se mantivermos esse patamar, o André Ventura pode perfeitamente tornar-se primeiro-ministro", afirma. Ele também destaca que o partido Chega consolidou uma base eleitoral importante e que o resultado foi uma derrota agridoce, pois o partido perdeu a eleição presidencial, mas venceu politicamente ao consolidar uma base eleitoral importante.