O segundo turno das eleições presidenciais em Portugal coloca o candidato de centro-esquerda António José Seguro contra André Ventura, líder do partido Chega e representante da direita radical. A disputa deste domingo mostra um cenário inédito desde 1986, quando não houve necessidade de segundo turno na história das eleições presidenciais do país.
Comentaristas políticos afirmam que a eleição pode deixar marcas profundas no sistema português, especialmente por conta do formato atípico. Em vez do habitual embate entre centro-esquerda e centro-direita, agora há um candidato de direita radical com um discurso anti-sistema e anti-imigração, que não refletiria posições tradicionais da centro-direita ou de setores expressivos da sociedade portuguesa.
A votação ocorre em meio a uma conjuntura desafiadora para Portugal, que registrou sucessivas tragédias climáticas nos últimos meses. Além disso, o cenário eleitoral é influenciado pela governabilidade atual, com um governo de centro-direita em minoria parlamentar que depende ora de apoios do Partido Socialista, ora do Chega.
A vitória de Seguro, afastado da política há uma década, é considerada provável, apesar de o foco estar na margem de seu triunfo. Especialistas já alertam para um possível reagrupamento na centro-direita após o processo, já que o Partido Social-Democrata, que integra o governo, ficou de fora do segundo turno pela primeira vez na história democrática do país.