A ascensão de André Ventura, candidato à Presidência de Portugal e líder do partido Chega, recolocou no centro do debate político a classificação ideológica do movimento que ele representa. Especialistas explicam diferenças de pensamento entre direita radical populista e extrema-direita.
A distinção central entre essas correntes está na relação com a democracia liberal. Enquanto a extrema-direita rejeita abertamente o regime democrático e mantém vínculos ideológicos diretos com o fascismo e o nazismo históricos, a direita radical populista adota uma postura tensionadora, buscando esvaziar ou reconfigurar a democracia por dentro, sem ruptura formal com o sistema.
O discurso de Ventura se estrutura a partir de três elementos centrais: autoritarismo, ultranacionalismo e populismo. O autoritarismo é expresso na ênfase recorrente em ordem, segurança pública e controle social, além da construção simbólica de uma liderança forte e moralmente superior.
O ultranacionalismo está ancorado numa concepção específica de identidade portuguesa, fortemente associada ao cristianismo, sobretudo católico, e integrada a uma narrativa de defesa da chamada civilização ocidental. O populismo é baseado na oposição entre um suposto povo puro e elites corrompidas, ocupando papel central na atuação do partido Chega e na imagem pública de André Ventura.