O Conselho da União Europeia se reúne nesta sexta-feira para deliberar sobre os próximos passos do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia e pode avançar com o tratado mesmo sem o apoio da França. O fator decisivo está na Itália, que responde por aproximadamente 13% da população da União Europeia.
Para que o acordo avance nessa etapa, é necessária maioria qualificada no Conselho, o equivalente a pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, desde que representem 65% da população do bloco.
Se superar essa fase, o texto segue para o Parlamento Europeu, que precisa dar seu consentimento. No Parlamento, a aprovação ocorre por maioria simples dos votos. A França, Polônia e Irlanda são países que já manifestaram posições contrárias ao acordo, mas somados representam cerca de 25% da população da União Europeia, percentual insuficiente para bloquear uma decisão por maioria qualificada.
A posição italiana oscilou ao longo das negociações em Bruxelas, mas após semanas de negociações, representantes do setor agrícola italiano passaram a afirmar que se consideram contemplados nos termos oferecidos. A Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da União Europeia para agricultores no próximo orçamento plurianual do bloco e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes.
