Dois agentes foram baleados em propriedade ligada a "Cabeza Branca"; mais de 50 pessoas detidas.
Dois policiais paraguaios ficaram gravemente feridos em uma tentativa violenta de invasão a uma fazenda, anteriormente ligada ao narcotraficante "Cabeza Branca".
A Polícia Nacional do Paraguai confirmou que dois suboficiais foram gravemente feridos durante uma tentativa violenta de invasão à fazenda Lusipar, localizada em Santa Rosa del Aguaray, no Departamento de San Pedro. A propriedade, que outrora pertenceu ao notório narcotraficante Luis Carlos Da Rocha, conhecido como “Cabeza Branca”, agora está sob posse do Estado paraguaio.
O incidente, que envolveu confrontos entre as forças de segurança e um grupo de invasores, resultou em dezenas de detenções e levantou questões sobre a segurança e a gestão de terras na região.
Os suboficiais Ángel Molinas e David Cano foram as vítimas dos disparos. Molinas sofreu um ferimento grave em uma das coxas, afetando uma artéria crucial, enquanto Cano foi atingido no rosto. Segundo o comandante da Polícia Nacional, Carlos Benítez, ambos estão internados no Hospital Rigoberto Caballero, recebendo atenção médica especializada. Apesar da gravidade das lesões, o comandante assegurou que o estado de saúde dos policiais é estável e que se espera uma recuperação progressiva, dada a complexidade de suas feridas.
Detenções e Reações ao Incidente
Durante a operação, que visava conter o avanço dos invasores, 28 pessoas foram inicialmente detidas e já possuem ordens de remissão a penitenciárias. Posteriormente, a Fiscalía paraguaia informou que o número de apreendidos chegou a 42, com 29 imputados por crimes como invasão de imóvel alheio, perturbação da paz pública, resistência, incitação a cometer fatos puníveis, danos e tentativa de homicídio doloso.
O número total de detidos aumentou para 52. A Fiscalía indicou que os disparos que feriram os policiais teriam partido dos manifestantes.
O comandante Benítez aproveitou para esclarecer que o presidente da Conferência Episcopal do Paraguai, Pedro Jubinville, não faz parte de nenhuma investigação relacionada ao caso. Jubinville teria atuado apenas como intermediador para o diálogo, buscando evitar a escalada da violência.
Benítez reafirmou que a Polícia Nacional não tem nada contra as organizações camponesas e que a situação na fazenda Lusipar está controlada.
A Associação Rural do Paraguai (ARP) divulgou um comunicado respaldando o operativo policial, afirmando que a ação impediu a consumação da invasão. Contudo, o Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura (MNP) do Paraguai expressou preocupação, denunciando um suposto “uso excessivo da força” por parte da polícia.
O MNP solicitou a instalação imediata de uma mesa de diálogo entre os três poderes do Estado para abordar as reivindicações dos camponeses e prevenir futuras violências. O incidente sublinha a tensão persistente em torno da posse de terras e a necessidade de soluções pacificadoras na região.