O ex-ministro Onyx Lorenzoni admitiu à CPMI do INSS que tinha ciência de irregularidades nos descontos associativos desde 2010, antes de assumir o cargo.
O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, declarou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que as suspeitas de irregularidades nos descontos associativos são antigas e persistentes.
Lorenzoni, que chefiou a pasta por oito meses, afirmou que já estava ciente do problema ao assumir o cargo, mencionando denúncias na imprensa e um caso pessoal envolvendo o pai de um assessor. Ele relatou ter proposto medidas para combater as fraudes logo no início do governo Bolsonaro, através da Medida Provisória 871.
Tramitação da MP 871
A MP 871, que visava coibir fraudes em benefícios previdenciários, teve sua proposta original alterada durante a tramitação no Congresso. Uma das mudanças foi a revalidação das autorizações de desconto, inicialmente prevista para ser anual, que passou a ser trienal.
Lorenzoni negou ter conhecimento de filiações em massa ou desbloqueio de descontos durante sua gestão, alegando que o INSS é uma autarquia autônoma. Ele confirmou ter recebido R$ 60 mil de um empresário investigado, mas alegou que a doação foi para sua campanha eleitoral e que desconhecia os negócios do filho, que prestou serviços a uma das entidades investigadas.