Sociólogos e cientistas políticos questionam o uso de termos como 'narcoterrorismo' e 'guerra' por autoridades estaduais.
Especialistas criticam a retórica de governadores sobre o combate ao crime, questionando o uso de termos como 'narcoterrorismo' e 'guerra'.
Especialistas em segurança pública criticam a retórica adotada por governadores no combate ao crime, especialmente o uso dos termos ‘narcoterrorismo’ e ‘guerra’. Segundo eles, essa linguagem pode ter consequências negativas para a sociedade e para o sistema democrático.
O sociólogo Ignacio Cano, da UERJ, critica a utilização do termo ‘Consórcio da Paz’ para se referir a um projeto de integração entre estados para combater o crime organizado. Para ele, o termo é inadequado, considerando o alto número de mortes em operações policiais.
Jacqueline Muniz, antropóloga e cientista política da UFF, questiona o uso do termo ‘narcoterrorismo’, afirmando que ele pode ser usado para justificar o aumento de poder e orçamento das forças de segurança, sem a devida prestação de contas. Ela argumenta que o termo oculta incompetências e oportunismos políticos.
Riscos da Retórica de Guerra
Os especialistas também alertam para os riscos da retórica de ‘guerra’, que pode levar à validação de ações violentas e à criminalização de populações vulneráveis. Jonas Pacheco, da Rede de Observatórios da Segurança, afirma que a ideia de guerra valida ações que barbarizam territórios, tendo como alvo o pobre e o preto que moram em áreas de vulnerabilidade.
Eles ressaltam que a segurança pública deve gerar segurança e não morte, e que o uso da força deve respeitar as normativas legais. A sociedade, ao autorizar a polícia a agir sem controles, coloca todos em risco.