Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

Estudo aponta que moradores de favelas expostos a tiroteios têm risco maior de depressão, ansiedade e hipertensão, evidenciando o impacto da violência. [...]

Estudo revela que moradores de áreas com alta incidência de tiroteios têm maior risco de depressão, ansiedade e hipertensão.

Estudo aponta que moradores de favelas expostos a tiroteios têm risco maior de depressão, ansiedade e hipertensão, evidenciando o impacto da violência.

Moradores de favelas no Rio de Janeiro enfrentam uma “bomba invisível” de problemas de saúde mental e física, resultado da violência constante e das operações policiais. Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) compara a saúde de moradores de favelas expostas a tiroteios com a de comunidades mais tranquilas.

A pesquisa aponta que o risco de moradores de áreas com mais tiroteios desenvolverem depressão e ansiedade é mais que o dobro. Quadros de insônia (73%) e hipertensão arterial (42%) também são mais comuns. Um terço dos moradores relata sudorese, falta de sono, tremor e falta de ar durante os tiroteios.

Impacto das Operações Policiais

Operações policiais, como a Operação Contenção, deixam um rastro de trauma. Moradores relatam pânico, fechamento de comércio e escolas, e interdição de vias.

A coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, Carolina Grillo, destaca que, apesar das prisões e apreensões, essas operações não afetam a estrutura do crime organizado, mas traumatizam a população.

Especialistas defendem que o combate ao crime organizado deve envolver outras estratégias, como desmantelar estruturas financeiras e oferecer oportunidades para jovens em áreas vulneráveis. O foco deve ser em investigar para onde vai o dinheiro do tráfico e quem está envolvido, em vez de apenas realizar operações violentas.

Iniciativas como o Pronasci Juventude, que oferece apoio para estudos e capacitação, são vistas como alternativas promissoras.

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