Operação policial nos complexos da Penha e do Alemão é criticada por especialistas em segurança pública.
Especialistas criticam operação policial no Rio, considerando-a uma 'cortina de fumaça' que expõe a população e não resolve o problema do crime organizado.
A operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, resultou em um dia de terror para mais de 150 mil moradores, com intensos tiroteios e explosões. A ação, que se estendeu por toda a terça-feira, deixou um número elevado de mortos e impactou o cotidiano da cidade, com interrupções no trânsito, fechamento de escolas e postos de saúde.
Especialistas criticam a operação, argumentando que ela não atinge o objetivo de conter o crime organizado e, ao contrário, pode fortalecer a violência. Segundo eles, a lógica de confronto armado tem se mostrado ineficaz e resulta em mais mortes e sofrimento para a população.
“Essa lógica de medir força armada bélica com estruturas do tráfico sempre resultaram em mortes cada vez maiores, em sofrimento cada vez mais intenso”, afirma o professor José Cláudio Souza Alves, da UFRRJ.
Estratégias Alternativas
Para combater o crime organizado de forma eficaz, os especialistas defendem a necessidade de outras estratégias, como o investimento em investigação financeira, o combate à corrupção e a oferta de oportunidades para a população em situação de vulnerabilidade.
A professora Jacqueline Muniz, da UFF, classificou a operação como amadora e criticou a falta de planejamento, que resultou na retirada de policiamento de outras áreas da cidade. Ela questiona a efetividade da ação e seus impactos na segurança da população.
O Instituto Fogo Cruzado também se manifestou, reforçando que ações como essa não combatem o crime organizado de fato e que é preciso atacar os fluxos financeiros e fortalecer as instituições de controle. A organização destaca que a operação é a maior chacina policial já registrada na história do estado do Rio de Janeiro.