Estudo revela o impacto da pandemia na orfandade e desigualdades entre os estados brasileiros.
Um estudo aponta que 149 mil crianças e adolescentes perderam pai, mãe ou ambos para a Covid-19 no Brasil entre 2020 e 2021.
Um estudo recente aponta que a Covid-19 deixou um rastro de 149 mil crianças e adolescentes órfãos no Brasil, apenas nos anos de 2020 e 2021. A pesquisa, realizada por pesquisadores ingleses, brasileiros e americanos, revela a magnitude da orfandade e as desigualdades entre os estados.
Além das vítimas diretas da doença, o estudo considera as vítimas indiretas, ou seja, crianças e adolescentes que perderam pais, avós ou outros familiares que exerciam papel de cuidado.
A pesquisa utilizou modelos estatísticos alimentados por dados demográficos para estimar o número de órfãos e a distribuição entre os estados. Os resultados apontam para maiores taxas de orfandade em Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul, enquanto Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Pará apresentam as menores taxas.
Impacto e Vulnerabilidade
A promotora de justiça Andréa Santos Souza, que colaborou com o estudo, destaca que a orfandade aumenta a vulnerabilidade das crianças e adolescentes, especialmente nos casos de perda de ambos os pais ou de mães solo. Os problemas financeiros são os mais frequentes nessas situações.
O estudo ressalta a necessidade de políticas públicas para amparar as crianças e adolescentes órfãos, que enfrentam dificuldades financeiras, emocionais e sociais. É fundamental fortalecer os programas existentes e criar novas iniciativas para atender às necessidades específicas desse grupo.
A pesquisadora Lorena Barberia enfatiza a importância de lembrar que, mesmo após o fim da pandemia, é preciso dirimir as desigualdades provocadas, pois algumas pessoas saíram em situação muito mais vulnerável.