Relatório do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) aponta desafios no acesso aos equipamentos, impactando a prevenção e tratamento da doença.
Estudo do CBR revela disparidades no acesso a mamógrafos no Brasil, com metade dos equipamentos no SUS e cobertura de apenas 24%, longe do ideal de 70%.
Em outubro, mês de conscientização sobre o câncer de mama, um relatório revela que o acesso desigual a mamógrafos ainda é um desafio no Brasil. O Atlas da Radiologia no Brasil, elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), destaca a importância do acesso igualitário ao rastreamento e tratamento da doença.
Segundo o levantamento, o país possui 6.826 equipamentos registrados, com 96% em funcionamento. Metade deles está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por atender 75% da população, o que equivale a 2,13 mamógrafos por 100 mil habitantes dependentes do SUS. Na saúde suplementar, que cobre 25% da população, a proporção é de 6,54 aparelhos por 100 mil beneficiárias, quase o triplo da rede pública. No Acre, por exemplo, são 35,38 mamógrafos por 100 mil habitantes na rede privada, contra 0,84 no SUS.
A coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do CBR, Ivie Braga de Paula, aponta que todos os estados têm número suficiente de aparelhos, mas gargalos dificultam o acesso e geram subutilização. Entre os problemas citados estão a falta de informação, comunicação, acesso e logística, principalmente na Região Norte. A especialista destaca que, em alguns casos, pacientes precisam viajar até sete horas de barco para realizar uma mamografia. Mesmo em grandes centros, pacientes da periferia enfrentam dificuldades para agendar e chegar aos locais com mamógrafos.
A cobertura de mamografias no Brasil é de apenas 24%, enquanto o ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 70%. Mesmo em São Paulo, estado com a maior concentração de mamógrafos, a taxa é de cerca de 26%. Em setembro, o Ministério da Saúde ampliou as diretrizes de rastreamento, recomendando mamografias para mulheres entre 40 e 49 anos, mesmo sem sintomas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Imca), mais de 73 mil mulheres recebem o diagnóstico de câncer de mama anualmente no Brasil.
O diagnóstico precoce, através de exames de imagem, é fundamental para aumentar as chances de cura. Em casos de câncer de mama com menos de 1 cm, a chance de cura é de 95% em cinco anos, independentemente do tipo, segundo Ivie Braga de Paula.