Estado ocupa a quinta posição no ranking nacional de violência sexual contra crianças e adolescentes, com 71,1 casos por 100 mil habitantes, conforme dados de 2025.
Mato Grosso do Sul registra 71,1 casos de estupro de vulneráveis por 100 mil habitantes, superando a média do Pará, que inclui Marajó, conforme o Anuário de Segurança Pública.
Mato Grosso do Sul apresenta uma taxa de estupro de vulneráveis maior que a de Marajó, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O estado registrou 71,1 casos por 100 mil habitantes, ocupando a quinta posição no ranking nacional.
Apesar dos bons indicadores econômicos, especialistas apontam que a violência sexual está relacionada a questões estruturais como desigualdade de gênero e padrões culturais. Até 14 de outubro de 2025, foram registradas 1.556 vítimas de estupro em MS, sendo a maioria crianças (705) e adolescentes (557).
Enquanto o Pará, que inclui Marajó, ocupa a 7ª posição com 51,7 casos por 100 mil habitantes, MS é superado apenas por Roraima (110,2), Acre (86,1), Amapá (78,5) e Rondônia (78,4). A diferença entre o Estado e o Pará é de quase 40%. A pesquisadora Estela Márcia Rondina Scandola, da Rede Feminista de Saúde, explica que os números refletem uma falha coletiva na proteção de quem deveria ser prioridade.
A situação se assemelha em alguns aspectos às comunidades indígenas e de polos turísticos como Corumbá e Porto Murtinho, onde a exploração sexual está ligada ao turismo de pesca. A ausência de políticas de proteção em áreas de grandes obras e empreendimentos, como a Rota Bioceânica e o Vale da Celulose, também é apontada como um fator de risco.
O governo do Estado afirma que atua de forma integrada por meio do Protege, que articula ações de prevenção, acolhimento e responsabilização de agressores. Viviane Vaz, coordenadora do Projeto Nova, defende que os avanços dependem de mudanças estruturais, como a educação sexual nas escolas e a formação contínua de profissionais da rede de proteção. Em todo o ano de 2024, foram 2.651 registros de violência sexual, incluindo 2.171 menores de idade.