Vítima relata agressões, extorsão e ameaças de morte por grupo na região da Costa Silva; dois boletins de ocorrência foram registrados.
Uma mulher trans que atua como garota de programa em Campo Grande denunciou uma série de ameaças, agressões e perseguições por parte de um grupo de travestis na região da Costa Silva.
Uma mulher trans que atua como profissional do sexo na região da Costa Silva, em Campo Grande, denunciou uma grave série de ameaças, agressões físicas e perseguição. A situação, que se intensificou nos últimos três meses, envolve um grupo de cinco travestis que, segundo o relato, busca impedir sua atuação na área e de outras colegas.
As denúncias, que já resultaram em dois boletins de ocorrência e foram acompanhadas da entrega de provas em vídeo e áudio às autoridades, detalham um cenário de intimidação crescente. A vítima narra que a perseguição começou quando o grupo alegou que ela não poderia permanecer na rua, especialmente na área onde as suspeitas atuam. Desde então, a mulher tem sido constantemente intimidada, seguida de carro e até mesmo ameaçada com arma branca. Em um dos episódios, uma das integrantes do grupo teria sacado uma faca e exigido dinheiro, afirmando que a vítima estava proibida de circular na região.
O primeiro registro oficial ocorreu após um incidente na madrugada de 12 de agosto, próximo à saída de um motel local. Na ocasião, a mulher foi abordada por uma das integrantes do grupo, que a advertiu sobre sua permanência no local, ameaçando “dar um jeito nela” caso insistisse. O segundo boletim foi formalizado em 11 de outubro, após novos episódios de perseguição e ameaças. Um desses incidentes ocorreu em 9 de outubro, quando a vítima trabalhava na Avenida Costa e Silva e foi agredida sem provocação, tendo sua bolsa arrancada e perdendo R$ 200, além de documentos.
Além dos ataques físicos, a mulher afirma possuir gravações de áudio com ameaças explícitas de morte, incluindo a menção de um traficante que teria sido pago para “tacar fogo nela viva”. Em outro áudio, a autora das ameaças demonstra não temer consequências, alegando não ser da região. As gravações também citam outras colegas da vítima, que seriam alvo da mesma gangue.
A denunciante também apresentou vídeos que, segundo ela, mostram integrantes do grupo agredindo outras mulheres em via pública, evidenciando um padrão de violência. Em um dos registros, uma amiga sua é agredida sem motivo; em outro, é possível ver o grupo arrancando o cabelo de uma mulher. As agressoras, que residem na mesma casa, estariam promovendo uma campanha de terror contra profissionais da região. A líder do grupo, ainda conforme a vítima, seria responsável por dirigir o veículo usado nas perseguições.
A violência não se restringe apenas aos ataques físicos; parte das agressões é gravada e divulgada na internet, servindo como forma de intimidação e humilhação pública. Todo esse material foi reunido e entregue às autoridades como prova dos crimes. Com medo e incapaz de trabalhar, a mulher clama por ajuda e proteção, temendo pela sua vida e pela segurança de suas colegas. Até o momento, nenhuma das autoras foi detida, e a vítima reforça que se trata de uma série de crimes organizados, e não de um conflito pessoal.