Mato Grosso do Sul: Quase 45 anos após sua instalação, estado dobra população e moderniza economia

Desde sua instalação em 1º de janeiro de 1979, Mato Grosso do Sul transformou-se de um estado rural com 1,4 milhão de habitantes para um [...]

Desde sua fundação em 1979, a região passou por uma intensa transformação demográfica e econômica, enfrentando desafios e consolidando-se como polo agrícola e urbano.

Desde sua instalação em 1º de janeiro de 1979, Mato Grosso do Sul transformou-se de um estado rural com 1,4 milhão de habitantes para um polo urbano e agrícola, quase dobrando sua população e modernizando significativamente sua economia, enfrentando novos desafios.

Mato Grosso do Sul consolidou-se como um dos estados mais dinâmicos do Centro-Oeste, quase dobrando sua população e modernizando sua economia desde sua instalação oficial em 1º de janeiro de 1979. Criado por meio da Lei Complementar nº 31, sancionada pelo então presidente Ernesto Geisel, o território que em sua origem contava com aproximadamente 1,4 milhão de habitantes distribuídos em 55 municípios, e uma economia essencialmente rural, hoje abriga mais de 2,7 milhões de pessoas em 79 cidades, conforme o Censo 2022.

A evolução demográfica, no entanto, não ocorreu de forma homogênea. Enquanto localidades como Chapadão do Sul, Costa Rica e São Gabriel do Oeste emergiram como importantes polos de desenvolvimento agrícola, diversos municípios de menor porte continuam a enfrentar obstáculos relacionados à infraestrutura e à oferta de serviços públicos essenciais. A base econômica, historicamente ligada ao agronegócio, passou por uma significativa modernização. O estado se firmou como um dos principais produtores nacionais de soja, milho, carne bovina e celulose, com sua economia impulsionada por indústrias do setor e pela mecanização das lavouras. Essa transformação trouxe prosperidade, mas também suscitou novos desafios sociais e ambientais.

Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) indicam que Mato Grosso do Sul ostenta o 6º maior Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário do Brasil, e registrou uma das maiores taxas de crescimento populacional na região Centro-Oeste na última década. Paralelamente ao aumento da população, a urbanização avançou consideravelmente. Campo Grande, por exemplo, que no período da divisão contava com cerca de 280 mil moradores, atualmente se aproxima de 950 mil habitantes. Esse crescimento gerou novas oportunidades, mas também impôs pressões sobre os sistemas de saneamento, moradia e mobilidade urbana.

Ao longo dos anos, a criação de 30 novos municípios demandou a expansão de escolas, unidades de saúde, rodovias e redes de abastecimento. Apesar dos progressos, o estado ainda convive com desigualdades internas, notadamente entre o Norte, caracterizado por sua vocação agrícola e menor densidade demográfica, e o Sul, mais urbanizado e com forte ligação à fronteira. No âmbito cultural, embora Mato Grosso do Sul tenha traçado seu próprio caminho político e econômico, os laços com o estado irmão de Mato Grosso permanecem fortes. Manifestações como o siriri e o cururu, danças típicas da região, são preservadas em ambos os territórios, embaladas pela viola de cocho e o ganzá. Na culinária, elementos como o pequi, o tereré e o churrasco pantaneiro simbolizam uma herança compartilhada que transcende as fronteiras estaduais. Uma moradora de Campo Grande, que testemunhou a divisão, resume que, apesar das diferenças evidentes, a essência do povo, o sotaque e a música revelam uma mesma alma.

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