Registros históricos da Agraer detalham a complexa missão do então major na delimitação do perímetro urbano e as origens do município sul-mato-grossense
Há 120 anos, o Major Rondon empreendeu a complexa tarefa de demarcar a Villa de Miranda, um desafio detalhado em documentos históricos da Agraer.
O arquivo da Agraer, em Campo Grande, preserva registros detalhados sobre a complexa tarefa de demarcação da Villa de Miranda pelo então Major Rondon, ocorrida há 120 anos, em 1905. Esses documentos históricos revelam os desafios enfrentados por Cândido Mariano da Silva Rondon para delimitar o perímetro urbano do que hoje é o município de Miranda, localizado a 208 quilômetros da capital sul-mato-grossense.
Assinado em 22 de setembro de 1905, um dos documentos detalha a atuação de Rondon, que, na época, dedicava-se à medição em Miranda. O processo não foi isento de controvérsias, com protestos de posseiros que alegavam direitos sobre as terras. Contudo, o major argumentou que a manutenção da área para a municipalidade era uma questão de justiça, por ser patrimônio de uma população majoritariamente pobre.
A demarcação, realizada sem os recursos tecnológicos atuais, envolvia a abertura de picadas e o registro minucioso de marcos geográficos como rios e morros, tornando o trabalho dispendioso. Uma carta de agradecimento do intendente a Rondon pelo levantamento gratuito evidencia a complexidade da época. Uma audiência pública, realizada às 8 horas de 21 de setembro de 1905, no décimo sétimo ano da República, registrou o confronto entre proprietários rurais e Rondon sobre os limites da cidade, indicando os impasses para definir os territórios do poder público.
A história de Miranda, que hoje conta com 26.512 habitantes, está intrinsecamente ligada aos rios Miranda e Aquidauana. Fundada em 1778 pelo capitão João Leme do Prado como Presídio de Nossa Senhora do Carmo do Rio Mondego, a localidade tinha como objetivo principal a proteção contra investidas castelhanas. Apesar das dificuldades de navegação e manutenção do povoado, em 1797, já possuía 40 casas e uma rua principal delineada, a Nossa Senhora do Carmo, atual Rua do Carmo.
No arquivo da Agraer, situado no Parque dos Poderes em Campo Grande, estão guardados cerca de 20 mil processos referentes a documentos de terras herdadas do antigo Mato Grosso uno. Mapas históricos na instituição ilustram a variação do número de municípios no que viria a ser Mato Grosso do Sul. Por exemplo, de apenas Corumbá até 1850, o estado alcançou 79 municípios em 2010, passando por 3 em 1857, 8 entre 1900 e 1909, e 50 em 1969. A figura de Marechal Rondon, cujo nome batiza ruas, aeroportos e cidades, permanece um marco na história territorial brasileira.