Instituto de Criminalística descarta que substância tenha sido gerada naturalmente durante a destilação; 24 pessoas foram intoxicadas no país.
O Instituto de Criminalística de SP confirmou que o metanol encontrado em bebidas adulteradas foi adicionado, e não resultado da destilação natural.
O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (8) que o metanol encontrado em bebidas adulteradas foi adicionado, descartando que sua concentração seja resultado de um processo de destilação natural. A análise detalhada revelou que a quantidade de metanol é anormal para um subproduto da destilação.
O processo de destilação geralmente gera diferentes tipos de álcoois, com o metanol sendo um dos mais leves e tendendo a se concentrar na parte superior do volume. Químicos e engenheiros químicos realizam a separação dessa “cabeça” por meio da temperatura, já que o metanol entra em ebulição a 64,7 graus Celsius (ºC), enquanto o etanol ferve a 78,4°C. Concentrações abaixo de 0,25ml para cada 100ml de volume são consideradas aceitáveis pelas autoridades, pois não representam risco ao consumidor.
Em destilarias profissionais, operadas por profissionais credenciados pelos CRQs, a fração inicial é descartada devido à concentração de álcoois tóxicos. No entanto, em produções artesanais ou clandestinas, esse controle nem sempre é feito corretamente, elevando a concentração de metanol na bebida final, segundo nota técnica do Conselho Regional de Química da Oitava Região/Sergipe (CRQ VIII). O órgão alerta que doses a partir de 4ml de metanol podem causar cegueira, e doses acima de 20ml podem ser fatais.
Em todo o país, 24 pessoas foram intoxicadas por metanol após ingerirem bebidas adulteradas. A Secretaria de Segurança de São Paulo informou que as polícias Civil e Militar apreenderam mais de 3 mil garrafas de bebidas com suspeita de falsificação em ações distintas realizadas na cidade de Campinas. A Polícia Civil prendeu um homem em flagrante em uma fábrica clandestina de uísque, onde foram encontrados dois galões de 50 litros e 335 garrafas cheias, prontas para venda. A PM, por sua vez, encontrou 2,9 mil garrafas com bebidas destiladas em um galpão, de onde um homem fugiu.
Na capital paulista, cerca de 70 mil garrafas foram encontradas em três depósitos clandestinos, utilizados para armazenamento e comercialização de produtos vencidos e sem origem comprovada. Dois homens foram presos em flagrante. A Justiça autorizou a destruição de 100 mil garrafas apreendidas pelas forças de segurança durante a investigação de adulteração de bebidas.