Quatro décadas de saudade foram atenuadas por um reencontro emocionante no vilarejo Zuzu, região de Nova Alvorada do Sul. Antigos moradores, que se separaram há mais de 40 anos, se reuniram para reviver memórias da infância. A iniciativa partiu de Edilson José da Silva, hoje com 54 anos, que passou a infância no vilarejo e sentiu a necessidade de reconectar-se com os amigos daquela época.
O vilarejo Zuzu, um lar para famílias que chegaram na década de 1970, abrigava principalmente trabalhadores da serraria Cermate e de outras empresas da região. A infância ali, apesar das dificuldades, era lembrada como um período de ouro, marcado por brincadeiras na natureza, banhos de rio, pescarias e festas comunitárias animadas por fogueiras e guavira colhida diretamente do pé.
“Não tínhamos bancos na escola. Cada um levava o seu de casa. Minha tia, a professora Sebastiana, nos ensinava. Éramos muito unidos, uma verdadeira família,” conta Edilson. A união era tão forte que até assistir televisão se tornava um evento comunitário. Poucas casas possuíam o aparelho em preto e branco, e a comunidade se reunia nos quintais para acompanhar os programas.
O fechamento da serraria e a migração de diversas famílias para outras localidades, como Campo Grande, São Paulo e Dourados, causaram a dispersão dos amigos. “Éramos apenas crianças quando cada um seguiu seu próprio caminho. Eu tinha apenas oito anos”, recorda.
Após seis meses dedicados a localizar os antigos amigos e organizar um grupo em um aplicativo de mensagens, Edilson conseguiu reunir dezenas de pessoas no dia 14. O encontro foi marcado por risadas, lágrimas e a exibição de fotos antigas, resgatando as lembranças de um tempo onde a vida era pautada pela coletividade e pela simplicidade.
A emoção do reencontro foi tamanha que o grupo já planeja um novo encontro para o próximo ano, com o objetivo de manter acesa a chama da amizade que resistiu ao tempo e à distância. “Foi como voltar no tempo. Éramos crianças novamente, compartilhando as histórias que nos tornaram quem somos hoje”, conclui Edilson, visivelmente emocionado.