Transplante em MS: Diálogo Familiar é Crucial para Salvar Vidas

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, a esperança de uma nova vida para inúmeros brasileiros reside em uma conversa familiar. Apesar do Brasil possuir [...]

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, a esperança de uma nova vida para inúmeros brasileiros reside em uma conversa familiar. Apesar do Brasil possuir um dos maiores programas públicos de transplante do mundo, a realidade é que, a cada 14 potenciais doadores, apenas quatro efetivamente concretizam a doação. A principal barreira é a recusa familiar, frequentemente motivada pela desinformação e pelo receio de abordar o tema.

O Ministério da Saúde promove a campanha “Doação de órgãos: precisamos falar sim”, enfatizando que o diálogo é o ponto de partida. Em Mato Grosso do Sul, a situação é particularmente desafiadora, com uma taxa de recusa à doação de 58%, conforme dados da Central Estadual de Transplantes de MS (CET/MS). A conscientização sobre a importância da doação de órgãos ainda é limitada, tornando o Setembro Verde uma oportunidade crucial para disseminar informações.

Os números da CET/MS ilustram a dimensão do problema: entre janeiro e agosto de 2025, 238 pacientes aguardam por um rim, 11 por um fígado e 390 por uma córnea.

Apesar da alta taxa de recusa familiar, os transplantes de órgãos sólidos apresentaram crescimento. Em 2024, foram realizados 32 transplantes de órgãos (26 de rins e 6 de fígados). No primeiro semestre de 2025, esse número já alcançou 37 (8 de rins e 29 de fígados). Quanto aos transplantes de córnea, foram 172 procedimentos tanto em 2024 quanto no primeiro semestre de 2025. Um dado relevante é que 47 transplantes de fígado foram realizados entre setembro de 2024 e 26 de julho de 2025, evidenciando um aumento recente nesse tipo de procedimento.

Transplantes renais e de córnea são considerados os “carros-chefe” na região, com a realização de transplantes de fígado em Campo Grande, além de transplantes de ossos e de medula óssea.

A doação de órgãos transforma vidas, como a do repórter cinematográfico Jairton Costa, que, após seis anos de hemodiálise devido à insuficiência renal, recebeu um transplante de rim doado por sua esposa. Sete anos após o procedimento, Jairton desfruta de uma vida plena, sem a necessidade de máquinas e com a liberdade de realizar atividades antes impossíveis.

Enquanto isso, Gleide de Moraes Lima Moreira aguarda há oito anos por um rim, submetendo-se à hemodiálise três vezes por semana. A espera e as limitações impostas pela doença a levam a apelar para a conscientização sobre a importância da doação.

A doação de órgãos pode ser realizada em vida ou após a morte. A doação post mortem ocorre mediante a confirmação de Morte Encefálica ou Parada Cardiorrespiratória. A lei brasileira exige o consentimento familiar para a retirada de órgãos, sendo fundamental comunicar o desejo de ser doador aos parentes. Os órgãos doados são destinados aos pacientes em uma lista de espera unificada, priorizando critérios técnicos como urgência e compatibilidade.

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