A trágica morte de Maicon Alce de Castro, ocorrida na noite da última sexta-feira (19) em Rio Brilhante, expõe uma história de sonhos desfeitos e luta contra a dependência química. Maicon, que faleceu após ser atropelado enquanto estava deitado na Avenida Augusto Lopes da Silva, enfrentava um período conturbado desde a perda de sua mãe.
De acordo com relatos de familiares, Maicon alimentava o sonho de se tornar jogador de futebol e chegou a integrar categorias de base. No entanto, a carreira profissional nunca se concretizou.
Por volta de 2018, o contato com drogas se intensificou, coincidindo com o falecimento de sua mãe. A perda aprofundou o envolvimento com o vício e, segundo uma prima identificada como Graciele, ele passou a viver em situação de rua, afastando-se do apoio familiar. “Antes da minha tia morrer, ele já tinha começado, porém depois da morte dela ele ficou bem em situação de rua mesmo. O que sabemos é que ele se aproximou de uma mulher, se apaixonou por ela, saiu da casa da minha tia e daí por diante não escutava mais ninguém”, relatou a prima.
A família tentou resgatá-lo, buscando internações em clínicas de reabilitação, mas Maicon se mostrava resistente. Apesar da recusa ao auxílio familiar, o serviço social do município acompanhava o caso, embora ele demonstrasse relutância em aderir a tratamentos contra o vício.
Na noite do acidente, Maicon estava deitado na avenida quando foi atingido por um Fiat Siena conduzido por uma mulher de 27 anos. Equipes do Corpo de Bombeiros o socorreram, mas ele não resistiu aos ferimentos e faleceu ao chegar no hospital.
A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Perícia Técnica de Dourados estiveram no local para investigar as circunstâncias do acidente. Há suspeitas de que a vítima estaria alcoolizada, e relatos indicam que ele já havia sido visto deitado na via em outras ocasiões.
A motorista do veículo foi submetida ao teste do bafômetro, que acusou um índice de 0,14 mg/L de álcool, configurando infração administrativa, mas não crime de embriaguez. Ela foi encaminhada à delegacia, ouvida e liberada.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
O corpo de Maicon será levado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) em Dourados para a realização de exames necroscópicos antes de ser liberado para a família.