Após nove anos de investigação e um longo processo administrativo, a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) anunciou a demissão do professor de biologia Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos, condenado por estupro de uma ex-aluna da instituição. A decisão, publicada nesta terça-feira (2), encerra uma saga que gerou revolta e protestos na comunidade acadêmica.
A investigação contra o professor teve início em 2016, mas a condenação em primeira instância pela Justiça Estadual só ocorreu este ano. A sentença impôs uma pena de oito anos de prisão em regime semiaberto, além de uma indenização de R$30 mil à vítima por danos morais. O professor ainda tem o direito de recorrer da decisão.
A demora na demissão do docente foi alvo de críticas e manifestações por parte de estudantes e outros membros da universidade. Durante anos, Luiz Gustavo continuou lecionando, mesmo com as acusações pendentes. Em agosto, um protesto em frente à reitoria reuniu estudantes com cartazes exigindo a sua demissão.
A universidade justificou a decisão com a conclusão dos trabalhos da Comissão do Processo Administrativo Disciplinar, que contou com a supervisão da Corregedoria da UFMS e o parecer da Advocacia-Geral da União. A portaria que oficializa a demissão afirma que o relatório final seguiu todos os trâmites processuais.
Após a divulgação da sentença em março, a UFMS determinou o afastamento preventivo do professor e constituiu a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apurar a responsabilidade do servidor. A instituição também revisou o ato administrativo de agosto de 2016, que havia decidido pela não apuração dos fatos.
O Centro Acadêmico de Biologia comemorou a demissão nas redes sociais, afirmando que a justiça foi feita e agradecendo a todos que não se calaram. A entidade considera a demissão um marco importante na história da universidade, representando um passo em direção a um ambiente mais seguro, justo e íntegro.