O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu publicamente nesta quarta-feira, a necessidade de o Congresso Nacional iniciar o debate sobre a cassação do mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Bolsonaro, que solicitou uma licença de 122 dias de seu mandato em março e se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição política, tem sido acusado de atuar junto a autoridades norte-americanas com o objetivo de influenciar a aplicação de sanções contra o Brasil.
Lula classificou o comportamento do deputado como “possivelmente, uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus”. Ele enfatizou a gravidade da situação, referindo-se ao deputado como “um cidadão que já deveria ter sido expulso da Câmara dos Deputados, insuflando com mentiras e com hipocrisias, um outro Estado contra o Estado nacional do Brasil”.
O presidente ressaltou a importância de transformar a questão em uma “frente de batalha no campo da política”, fora do âmbito do governo, buscando assegurar o respeito ao país. A declaração foi feita durante a abertura da segunda reunião ministerial de 2025.
Na semana anterior, tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal sob as acusações de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
O indiciamento ocorreu após a conclusão das investigações da Polícia Federal sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o propósito de promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.
As sobretaxas impostas ao Brasil foram mencionadas como parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Trump, de elevar as tarifas de parceiros comerciais na tentativa de reverter a perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China. Em 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países baseando-se no tamanho do déficit dos Estados Unidos com cada nação. Na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%, devido ao superávit dos EUA com o Brasil.
Contudo, em 6 de agosto, Trump aplicou uma tarifa adicional de 40% ao Brasil em retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam as grandes empresas de tecnologia estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
