Enquanto o sistema de pagamentos instantâneos da Índia, o Unified Payments Interface (UPI), precede o PIX brasileiro e possui funcionalidades mais amplas, é o sistema brasileiro que se encontra sob investigação comercial dos Estados Unidos, iniciada em 15 de julho. O PIX é visto como uma possível prática “desleal” pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que o descreve como um “serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo”.
Essa medida gerou debates e defesas do PIX por figuras como o economista Paul Krugman e representantes do governo brasileiro. Curiosamente, a Índia, apesar de ter sido penalizada pelos EUA com tarifas adicionais, não enfrentou escrutínio semelhante em relação ao seu sistema UPI.
O UPI, lançado em 2016, compartilha características com o PIX, como pagamentos instantâneos 24 horas por dia, gratuidade e dispensa de dados bancários tradicionais. Ele surgiu como parte da iniciativa “India Stack”, que visava a digitalização do país, incluindo o lançamento de um RG digital e a desmonetização de cédulas.
Desenvolvido por um consórcio de entidades financeiras reunido pelo Banco Central da Índia, o UPI se tornou o principal meio de pagamento no país, respondendo por 83% das transações digitais. Atualmente, cerca de 500 milhões de indianos utilizam o serviço, com mais de 18 bilhões de transações processadas mensalmente.
O UPI também oferece soluções como pagamentos recorrentes automáticos (desde 2020) e recursos ainda não disponíveis no Brasil, como pagamentos offline e por comando de voz. Sua expansão internacional inclui países como Butão, Nepal, Cingapura, Emirados Árabes Unidos, Sri Lanka e França.
Uma diferença fundamental reside na estrutura de operação. No Brasil, o Banco Central atua como operador e regulador do PIX, enquanto na Índia, o UPI é supervisionado pelo Banco Central, mas operado pelo setor privado. Essa característica favoreceu empresas americanas como Google e Walmart, que dominam as transações com o UPI através de seus aplicativos Google Pay e PhonePe.
A inclusão financeira promovida pelo PIX e pelo UPI impulsionou o crescimento de bancos e fintechs, especialmente no Brasil, que se tornou referência internacional. O sistema de pagamentos instantâneos que a Colômbia está desenvolvendo, por exemplo, é inspirado no PIX.
A investigação americana contra o PIX levanta questões sobre o papel das big techs no mercado de pagamentos. Empresas como o WhatsApp, que não conseguiu se estabelecer no segmento no Brasil, podem estar interessadas nos desdobramentos da investigação.
