Em agosto de 1985, o voo 123 da Japan Airlines, que seguia de Tóquio para Osaka, transformou-se em um dos piores desastres da história da aviação. Hirotsugu Kawaguchi, um dos 524 passageiros a bordo, pressentiu o pior e escreveu uma comovente carta de despedida para sua família, ciente de que a sobrevivência era improvável.
O Boeing 747-SR, uma versão adaptada para voos de curta distância e alta densidade de passageiros, decolou de Haneda em um dia próximo a um feriado nacional, o que explica a lotação da aeronave. A tripulação era composta pelo experiente comandante Masami Takahama, o copiloto Yutaka Sasaki, em fase final de treinamento, e o engenheiro de voo Fukuda Hiroshi.
Apenas 12 minutos após a decolagem, uma forte descompressão explosiva abalou a aeronave. As máscaras de oxigênio caíram, e o pânico tomou conta da cabine. Os pilotos declararam emergência e tentaram retornar ao aeroporto de Haneda, mas o Boeing 747 não respondeu aos comandos.
O engenheiro de voo reportou a perda de pressão em todos os quatro sistemas hidráulicos, essenciais para o controle da aeronave. A causa da descompressão, desconhecida pelos pilotos naquele momento, era a explosão na parte traseira da aeronave, que resultou na perda do leme e de grande parte do estabilizador vertical.
Sem o controle hidráulico, a aeronave tornou-se praticamente ingovernável, oscilando em movimentos irregulares. A torre de controle sugeriu um pouso de emergência em Nagoya, mas o comandante optou por tentar retornar a Haneda.
A situação se agravou com a hipóxia, devido à falta de pressurização. O engenheiro de voo alertou sobre a necessidade de usar as máscaras de oxigênio, mas a tripulação não as colocou. Os pilotos conseguiram controlar parcialmente a aeronave, utilizando a potência dos motores. Tentaram baixar o trem de pouso para desacelerar, mas a manobra dificultou ainda mais o controle.
Pouco antes das 19h, a tripulação reportou que a aeronave estava incontrolável. Minutos depois, o voo Japan Airlines 123 caiu em uma montanha, matando 520 pessoas. Apenas quatro mulheres foram encontradas com vida nos destroços.
As investigações revelaram que a causa raiz do acidente estava em um reparo mal feito em 1978, após uma batida da cauda do avião durante um pouso. O reparo do anteparo de pressão traseiro, crucial para a pressurização da cabine, foi realizado com uma única fileira de rebites, em vez de duas, conforme o recomendado. Essa falha estrutural, agravada por anos de ciclos de pressurização e despressurização, levou à ruptura do anteparo e à subsequente explosão que causou a tragédia.