Tarifa dos EUA: China é saída para produtos brasileiros? Especialistas analisam.

A iminente implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos intensificou os esforços do governo brasileiro para negociar com [...]

A iminente implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos intensificou os esforços do governo brasileiro para negociar com a administração de Donald Trump. Paralelamente, a China sinalizou disposição em cooperar com o Brasil para defender o sistema multilateral de comércio e a equidade internacional, em uma possível alusão às tarifas americanas.

Entretanto, especialistas apontam que redirecionar as exportações brasileiras para a China pode ser uma solução limitada. Apesar de serem os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, China e EUA possuem demandas distintas. Os Estados Unidos importam uma gama diversificada de produtos, incluindo manufaturados e bens de meio de cadeia, enquanto a China concentra suas importações em commodities como soja, petróleo e minério de ferro.

Entre os produtos que poderiam ser redirecionados para a China, destacam-se petróleo, carne bovina e minério de ferro. No entanto, o mercado global de minério de ferro já enfrenta excesso de oferta, o que poderia forçar o Brasil a vender a preços ainda menores. A China poderia absorver parte desse excedente por razões estratégicas, buscando demonstrar sua importância como parceiro comercial.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, ressalta que algumas mercadorias foram previamente excluídas da tarifa de 10% imposta pelos EUA em abril, e a manutenção dessas isenções poderia beneficiar o petróleo e seus derivados. Commodities em geral, segundo Barral, tendem a sofrer menor impacto negativo, mesmo que vendidas a preços reduzidos. O setor de café, por exemplo, poderia encontrar alternativas, embora os Estados Unidos enfrentariam dificuldades em encontrar um fornecedor do porte do Brasil.

Setores como o de suco de laranja, que destina 41,7% de suas exportações aos EUA, preveem um cenário pessimista. A tarifa, somada a uma sobretaxa já existente, criaria uma situação insustentável. Produtos industrializados, como autopeças, também enfrentariam desafios para encontrar novos mercados, devido à especificidade e certificação desses itens.

A imposição da tarifa de 50% foi interpretada por analistas como uma medida de motivação política, considerando o superávit comercial americano com o Brasil. A medida é vista como uma tentativa de interferência no sistema político brasileiro, motivada por menções ao processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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