Acali: A Balsa do Sexo e o Experimento que Quase Acabou em Tragédia

Em 1973, um experimento social inusitado colocou 11 pessoas em uma jornada transatlântica de 101 dias a bordo da balsa Acali, também conhecida como “a [...]

Em 1973, um experimento social inusitado colocou 11 pessoas em uma jornada transatlântica de 101 dias a bordo da balsa Acali, também conhecida como “a balsa do sexo”. Idealizado pelo antropólogo espanhol-mexicano Santiago Genovés, o projeto visava estudar a violência, a agressão e a atração sexual em um ambiente isolado e controlado.

Inspirado por um sequestro aéreo que vivenciou e por sua experiência em travessias marítimas com o explorador Thor Heyerdahl, Genovés construiu uma embarcação de 12 x 7 metros, com uma cabine exígua e instalações sanitárias à vista de todos, para criar um ambiente de tensão e vulnerabilidade. A ideia era replicar as condições de laboratório, como em experimentos com animais, para observar como a agressão se manifestaria em seres humanos confinados.

O antropólogo recrutou quatro homens e seis mulheres de diferentes nacionalidades, religiões e contextos sociais, buscando criar tensões no grupo. Designou papéis de liderança às mulheres, incluindo a capitã sueca Maria Björnstam, enquanto relegava os homens a tarefas menos importantes. Genovés se questionava se o empoderamento feminino resultaria em menos ou mais violência.

A viagem, que partiu das Ilhas Canárias rumo ao México, logo despertou a atenção da mídia, que batizou o projeto de “balsa do sexo” e publicou manchetes sensacionalistas sobre orgias e códigos secretos de . Embora a realidade a bordo fosse diferente do que a imprensa imaginava, o sexo era um dos aspectos do experimento. Genovés selecionou participantes sexualmente atraentes e convidou um padre católico para observar as interações.

Contudo, o foco principal era a agressividade. Para a surpresa de Genovés, não houve ciúmes sexuais ou conflitos significativos entre os participantes. Após 51 dias, o antropólogo se frustrou ao perceber que o único comportamento violento manifestado era o seu próprio. Com o tempo, a tripulação passou a nutrir sentimentos sombrios em relação a ele, chegando a cogitar o “assassinato” para se libertar de sua “violência psicológica” e atitudes controladoras.

Apesar da tensão crescente, a viagem transcorreu sem incidentes graves. Ao chegarem ao México, os participantes foram submetidos a exames médicos e psicológicos. Para os voluntários, a experiência se transformou em uma aventura que, apesar dos momentos difíceis, criou laços duradouros.

Um documentário posterior reuniu os sobreviventes do experimento e revelou que Genovés, obcecado com o controle, perdeu a oportunidade de aprender sobre as consequências da violência e a superação das diferenças.

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