Ameaça de Trump à Rússia: Moscou Vê Alívio Onde Washington Esperava Preocupação

A Rússia parece ter recebido com mais alívio do que preocupação o recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas que [...]

A Rússia parece ter recebido com mais alívio do que preocupação o recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas que poderiam afetar significativamente o orçamento de guerra russo. Apesar da ameaça, a bolsa de valores de Moscou registrou uma alta de 2,7%.

A edição de segunda-feira do tabloide Moskovsky Komsomolets alertava que a “surpresa de Trump” não seria agradável para o país. Contudo, o fato de que as tarifas secundárias contra os parceiros comerciais russos só entrarão em vigor em 50 dias é visto como uma oportunidade para Moscou apresentar contrapropostas e, possivelmente, adiar a implementação das sanções.

O anúncio de Trump, que também inclui o envio de mais armas americanas à Ucrânia financiadas por governos europeus, reflete uma postura mais dura em relação à Rússia e sua frustração com a aparente falta de disposição de Vladimir Putin em assinar um acordo de paz.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump priorizou o fim da guerra na Ucrânia, encontrando repetidas vezes a resposta russa do “Sim, mas…”. Em março, Moscou demonstrou entusiasmo com a proposta de cessar-fogo, mas condicionou-o ao fim do apoio militar e de inteligência ocidental a Kiev, além da desmobilização militar ucraniana. O Kremlin insiste que deseja a paz, mas que as “causas profundas” da guerra precisam ser resolvidas, uma perspectiva que diverge das visões da Ucrânia e do Ocidente.

Moscou argumenta que a guerra é resultado de ameaças externas à sua segurança, vindas de Kiev, da OTAN e do “Ocidente coletivo”. No entanto, foi a Rússia que iniciou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando o maior conflito terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A estratégia do “Sim, mas…” tem permitido a Moscou evitar sanções adicionais dos EUA, enquanto a guerra continua. O governo Trump, na tentativa de melhorar as relações e negociar um acordo de paz, optou por incentivos em vez de ameaças. Críticos alertaram que essa estratégia russa visa ganhar tempo, mas Trump ainda esperava persuadir Putin a fechar um acordo.

O presidente russo, no entanto, não demonstra pressa. O Kremlin acredita ter vantagem no campo de batalha e insiste que quer a paz em seus próprios termos, que incluem o fim do envio de armas ocidentais à Ucrânia. O anúncio de Trump, no entanto, sinaliza que essa exigência não será atendida.

O presidente americano expressou sua insatisfação com Vladimir Putin, mas a decepção parece ser mútua. O Moskovsky Komsomolets chegou a afirmar que Trump “claramente sofre de delírios de grandeza” e que “fala demais”.

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