Irlanda: Exumação em Cova de Bebês em Lar Católico Busca Identificação de 800 Vítimas

A Irlanda iniciou a complexa operação de exumação e identificação dos restos mortais de aproximadamente 800 bebês encontrados em um antigo lar para mães solteiras [...]

A Irlanda iniciou a complexa operação de exumação e identificação dos restos mortais de aproximadamente 800 bebês encontrados em um antigo lar para mães solteiras administrado pela ordem de Bon Secours, da Igreja Católica, em Tuam, Condado de Galway. A escavação, que teve início nesta segunda-feira, faz parte de um processo de reparação em um país marcado por um histórico de abusos em instituições religiosas.

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, classificou a situação como “muito difícil e angustiante”, ressaltando a importância de aguardar os resultados da escavação. Daniel MacSweeney, responsável pela exumação, informou que sobreviventes e familiares poderão acompanhar os trabalhos nas próximas semanas, embora o jardim memorial no local permaneça fechado ao público por motivos forenses.

A complexidade da operação se deve à mistura dos restos mortais, dificultando a separação entre meninos e meninas, além do estado do DNA e da falta de documentação. Uma equipe internacional de especialistas forenses, incluindo profissionais da Colômbia, Espanha, Reino Unido, Canadá, Austrália e Estados Unidos, auxilia nos trabalhos.

Os restos mortais identificados serão devolvidos às famílias, conforme seus desejos. Aqueles que não puderem ser identificados receberão um sepultamento digno e respeitoso, segundo as autoridades. A previsão é que as escavações durem dois anos.

A investigação sobre os lares católicos para mães começou na década de 2010, após o surgimento de indícios de uma cova coletiva em Tuam. Em 2014, uma historiadora rastreou certidões de óbito de cerca de 800 crianças que morreram no local entre as décadas de 1920 e 1960, encontrando apenas um registro de sepultamento. O lar, fechado em 1961, abrigou dezenas de milhares de órfãos e mulheres solteiras grávidas, muitas das quais foram forçadas a renunciar a seus filhos.

Investigações posteriores revelaram uma vala comum contendo os restos mortais de bebês e crianças pequenas em uma antiga estrutura de esgoto subterrânea, no terreno da instituição. Uma análise de DNA indicou que as vítimas tinham entre 35 semanas de gestação e 3 anos de idade. Uma investigação de grande escala sobre os lares de mães e bebês concluiu, em 2021, que cerca de 9 mil crianças morreram em 18 dessas instituições, que serviram para esconder jovens grávidas da sociedade. As principais causas de morte foram infecções respiratórias e gastroenterite.

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