O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre todas as exportações brasileiras para o território americano. A medida, com previsão para entrar em vigor em 1º de agosto, afeta todos os produtos, independentemente de tarifas já existentes.
A decisão foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de carta, na qual Trump associa o aumento da tarifa à condução do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, classificando-o como uma “vergonha internacional”.
Trump também alegou que a medida é uma resposta à “violação da liberdade de expressão dos americanos” e às “ordens de censura secretas e ilegais” supostamente emitidas pelo STF contra plataformas de redes sociais dos EUA.
“Como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura secretas e ilegais a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”, escreveu Trump na carta.
A nova tarifa eleva significativamente o custo de exportação para o mercado norte-americano, principal destino de diversos produtos brasileiros, especialmente do agronegócio sul-mato-grossense.
No Senado Federal, a decisão gerou mobilização. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad, defendeu o uso da diplomacia parlamentar como instrumento para preservar as relações com os Estados Unidos.
“Temos que buscar a pacificação desse entendimento para que o nosso comércio não seja prejudicado”, afirmou o senador. Trad informou que o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Brasília propôs a formação de uma missão parlamentar a Washington para diálogo direto com o Congresso americano, com apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A senadora Tereza Cristina, relatora da lei da reciprocidade no Senado, também reagiu ao anúncio, pedindo cautela e diálogo nas negociações entre os países.
“As nossas instituições precisam ter calma e equilíbrio nesta hora. A nossa diplomacia deve cuidar dos altos interesses do Estado brasileiro. Brasil e Estados Unidos têm longa parceria e seus povos não devem ser penalizados. Ambos têm instrumentos legais para colocar à mesa de negociação nos próximos 22 dias”, afirmou.
O suplente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Dagoberto Nogueira, criticou a postura do presidente americano, caracterizando-o como despreparado e desrespeitoso com a soberania dos países.
