Donald Trump elevou o tom contra o Brasil, utilizando o poder econômico dos Estados Unidos para interferir diretamente na política interna brasileira. Em uma carta com linguagem mais agressiva do que a utilizada em comunicações com outros países, o ex-presidente americano impôs um aumento de cinco vezes nas tarifas sobre produtos brasileiros, alegando fazê-lo em benefício do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A medida, que pode ser vista como uma tentativa de influenciar o sistema judiciário brasileiro, acompanha a exigência de que o atual presidente Lula interrompa o julgamento de Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado. Trump justifica o aumento das tarifas com acusações de que o Brasil estaria promovendo ataques contra eleições livres, violando a liberdade de expressão e censurando plataformas de mídia social americanas através de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na carta, Trump descreve o tratamento dado a Bolsonaro no Brasil como uma “vergonha internacional”, referindo-se ao ex-presidente como um “líder altamente respeitado em todo o mundo durante o seu mandato”. Ele classifica o julgamento como uma “caça às bruxas que deveria terminar imediatamente”, repetindo um termo que ele próprio utilizou em sua defesa durante seus processos de impeachment e acusações criminais.
Essa atitude de Trump parece seguir um padrão de retaliação e intimidação semelhante ao utilizado contra seus oponentes políticos. Diferentemente de outras situações em que ameaçou tarifas como forma de pressão, no caso do Brasil não há um déficit comercial que justifique a medida. Os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil, evidenciando o viés ideológico e o descontentamento de Trump com o país.