O delegado da Polícia Civil Hoffmans D´Ávila, preso desde 24 de setembro em decorrência da Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), teria obtido cerca de R$ 15 milhões com a venda de cocaína desviada. A informação consta de apuração da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), que cumpriu mandados contra ele em sua residência na Capital.
Segundo as investigações, o delegado teria comercializado aproximadamente 2 toneladas da droga retirada do depósito do Denar, com valores entre R$ 8.500 e R$ 10.500 por quilo. A operação também levou à apreensão de um Mustang do policial civil Douglas Tobias, que já havia sido alvo da Operação Infiltrados em setembro. Esta é a segunda vez em menos de dois meses que ambos são alvos de ações policiais.
A Operação Ifrit investiga uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções, com participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e de um Policial Rodoviário Federal de outro estado. Ao todo, são cumpridos 76 mandados judiciais, sendo 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados de suas funções.
A defesa do delegado, representada pelos advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, João Pedro da Silva Fialho, Lucas de Nobrega Fuzinatto e Jakson Gomes Yamashita, informou que ele já estava em custódia cautelar por outro procedimento e foi encaminhado à unidade prisional competente após o novo mandado. Os advogados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova prisão preventiva nem ao conjunto de provas da operação, e que qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura. A defesa ressaltou que prisões cautelares não representam juízo definitivo de responsabilidade penal.
De acordo com a PF, o grupo é investigado por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e delitos violentos como sequestros, torturas, atentados e homicídios. As investigações apontam que a organização atuava principalmente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, com ramificações em outros estados, obtendo drogas e armas na Bolívia, no Peru e no Paraguai para abastecer redes de distribuição no Brasil e rotas para a Europa, especialmente Espanha e Portugal.