Advogada presa em operação do Gaeco atuava como elo de confiança de facção criminosa

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ela e o marido, policial militar, integravam o núcleo Sintonia dos Gravatas e são investigados por [...]

Uma advogada presa na quinta-feira (29) durante a Operação Consorte, terceira fase da Operação Courrier, era considerada pessoa de confiança da organização criminosa e exercia papel relevante no núcleo "Sintonia dos Gravatas", de acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Ela e o marido, um policial militar, foram detidos por suspeita de integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital).

As investigações apontaram que o militar repassava à esposa informações sigilosas obtidas em consultas ao sistema de ocorrências policiais. Segundo o apurado, ele acessou os dados entre 2013 e 2018, fora de suas atividades rotineiras, e as pesquisas tinham como alvo principal membros presos da organização criminosa. A advogada, por sua vez, distribuía o material a colegas de profissão e a integrantes da facção, conforme os relatórios.

Os mandados de prisão preventiva do casal foram expedidos em 30 de julho deste ano pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O policial foi preso no início da manhã, nas dependências do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em Campo Grande. Na mesma ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na capital e em Dourados.

A advogada ocupa o cargo de conselheira do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS, é vice-presidente da Comissão da Advocacia Criminal e presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas Mulher de Mato Grosso do Sul. Em nota, a OAB-MS informou que a Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da Subseção de Dourados acompanhou as diligências e adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.

O policial militar foi afastado de suas funções, segundo a PMMS, que afirmou ter instaurado procedimentos administrativos internos para apurar os fatos e responsabilizar as condutas disciplinarmente. Ele é investigado por organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional e, após os trâmites legais, será conduzido ao Presídio Militar Estadual. A Operação Courrier cumpriu ao todo 38 mandados judiciais.

Leia mais

Rolar para cima