Moradores da Aldeia Porto Lindo, em Japorã, agora podem solicitar a Carteira de Identidade Nacional (CIN) sem precisar se deslocar para outros municípios. O posto de identificação foi instalado na última quinta-feira (29), na Escola Estadual Indígena Kunã Yruku, e funciona no local para atender a comunidade indígena e os assentamentos do entorno.
O serviço é oferecido pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Instituto de Identificação da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS). A previsão é de cerca de 30 atendimentos por dia, o que deve facilitar o acesso ao documento para quem vive na região.
Entre os primeiros atendidos está José Domingues, que destacou a praticidade. “Agora ficou mais fácil para nós essa questão de documentação”, afirmou. Segundo o cacique Onesio Dias, antes os moradores precisavam viajar para cidades como Iguatemi, Mundo Novo ou para a área urbana de Japorã para conseguir emitir o RG. “Todos sabem que nós moramos em uma aldeia que fica bastante longe da cidade grande e por isso a nossa dificuldade de fazer a nossa documentação de identificação”, declarou.
A unidade conta com moradores indígenas contratados, como Gilsele Ramirez, de 24 anos. “Minha expectativa é trabalhar pela comunidade onde eu cresci e crescer profissionalmente”, disse. Conforme o diretor do Instituto de Identificação, Daniel Ferreira Freitas, a escolha de Porto Lindo considerou o número de indígenas na região e a distância dos grandes centros. “A Aldeia Porto Lindo foi escolhida devido à quantidade de indígenas que residem nessa região”, explicou.
Este é o quinto posto de identificação em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, somando-se a unidades na Reserva Indígena de Dourados, na Aldeia Taunay, em Aquidauana, na Aldeia Cachoeirinha, em Miranda, e na Aldeia Te’ýikue, em Caarapó. A expansão também alcança áreas rurais e assentamentos, com postos no Assentamento Itamaraty, em Ponta Porã, e no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina. Segundo o Instituto de Identificação, as unidades em comunidades indígenas e nesses territórios já emitiram 1.766 documentos. No total, Mato Grosso do Sul conta com 112 postos e registra 956 mil documentos emitidos desde 2024, sendo cerca de 9,5 mil em ações parceiras e mutirões em Campo Grande.