Jovem do CV teria forjado abuso sexual para atrair o pai até local de execução em MS

Investigação aponta que adolescente de 17 anos organizou casa onde Gilson Santana dos Santos foi morto, em ação que terminou com três suspeitos mortos durante [...]

Uma investigação conduzida em Mato Grosso do Sul revelou que uma adolescente de 17 anos, identificada como Ana Vitória Nascimento Santos, teria arquitetado uma falsa denúncia de abuso sexual contra o próprio pai, Gilson Santana dos Santos, para levá-lo até o local onde foi executado no dia 29 de setembro. O caso veio à tona após a Operação Descarrilho, deflagrada nesta quinta-feira (15) em Nova Andradina, cidade a 298 quilômetros de Campo Grande, que terminou com a morte de três suspeitos em confronto com a polícia, incluindo a jovem.

A adolescente era apontada como integrante do Comando Vermelho e participava ativamente das decisões da facção na região. Além do homicídio do pai, as autoridades investigavam sua ligação com a morte de Natalício Rodrigues dos Santos, conhecido como "Pebinha", assassinado no último dia 5. O recrutamento de mulheres para funções estratégicas dentro da organização criminosa tem se consolidado como uma tática recorrente no estado.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (16), o delegado Roberto Oliveira Guimarães, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros, detalhou o modus operandi da jovem. Ele explicou que ela montou toda a dinâmica do crime, incluindo a preparação do imóvel onde o pai foi morto. "Essa menina fez toda uma dinâmica junto do CV para executar o próprio pai, como a organização da casa. Ela organizou a casa onde o pai foi assassinado. O pai era investigado como sendo do PCC, então ela criou uma situação de violência sexual para levar o pai até a casa e à execução", afirmou o delegado.

As apurações também revelaram que os criminosos ligados ao Comando Vermelho têm o hábito de trocar de endereço com frequência para dificultar o trabalho investigativo. Informações obtidas na tarde de quarta-feira indicavam que o grupo já preparava uma mudança para outra casa. "As informações que recebemos ontem à tarde são que tinham outra casa para mudar, porque não ficam em uma só. É um jeito de dificultar a investigação", pontuou Roberto Oliveira Guimarães.

A polícia identificou ainda um comportamento agressivo por parte dos suspeitos, que fazem questão de demonstrar hostilidade. Em razão disso, as equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros adotam uma conduta mais especializada no cumprimento dos mandados. Segundo o delegado, como os criminosos são de fora do estado e não possuem vínculos locais, o nível de agressividade se torna ainda mais evidente.

A Operação Descarrilho foi uma ação integrada que envolveu diversas unidades das forças policiais. O levantamento inicial identificou um núcleo ativo do Comando Vermelho que estaria operando em Batayporã e região. Esse mesmo grupo teria participado de um homicídio em Casa Verde, onde quatro pessoas da mesma família foram executadas. Um dos suspeitos era proveniente de Mato Grosso, enquanto o outro tinha origem no Maranhão.

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