O julgamento de Matheus Henrique de Oliveira Domingos na 2ª Vara do Tribunal do Júri, referente à morte de Kamylla Scarllet Fernandes Cristaldo, ocorreu nesta sexta-feira (2) e trouxe à tona contradições que chamaram a atenção do pai da jovem. Matheus está sendo processado por um crime ocorrido em 1º de setembro de 2024, quando Kamylla foi ferida a tiros enquanto aguardava um motociclista de aplicativo. Após três meses internada, a jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu em dezembro daquele ano.
Durante o julgamento, o réu negou ter cometido o crime, alegando que soube apenas em dezembro sobre as acusações contra ele. No entanto, a versão de Matheus foi considerada contraditória pelo pai de Kamylla, Flávio Cristaldo de Jesus, que expressou suas impressões sobre o depoimento do réu. Ele afirmou sentir-se aliviado ao perceber que as respostas de Matheus poderiam ser vistas como uma forma de autocondenação. "Ele está completamente contraditório. Estou me sentindo um pouco aliviado de que, dentro da contradição dele, ele já está se autocondensando. Porque ele está mentindo ali, diante de um juiz, de uma promotoria”, disse Flávio.
Flávio Cristaldo, que acompanhou o julgamento de perto, também comentou sobre a defesa de Matheus, afirmando que nem mesmo os advogados do réu conseguiam apresentar argumentos que o protegessem. O pai de Kamylla destacou que, em vez de se defender, o réu repetia as mesmas informações já questionadas pelo juiz. Essa situação reforçou a sensação de que o réu estava em uma posição delicada, o que trouxe certa tranquilidade a Flávio, que acredita na possibilidade de uma condenação.
Em declarações anteriores ao julgamento, Flávio já havia manifestado seu desejo de justiça pela morte da filha. "Isso, para mim, já está me aliviando. Já estou vendo caminhos de condenação, estou me sentindo até um pouco mais calmo", afirmou.
Além das contradições apresentadas por Matheus, também foram mencionados os relatos de testemunhas que afirmaram ter visto um homem fugindo em direção à rodovia após os disparos. Um menino de apenas 9 anos, que estava presente na cena, ficou traumatizado ao testemunhar o momento em que Kamylla foi atingida. A situação reforça a gravidade do crime e as consequências que ele trouxe para a família da vítima.
Kamylla, antes de falecer, revelou aos médicos que Matheus foi o autor dos disparos, motivados por ciúmes da amizade entre ela e a mulher com quem ele se relacionava. A investigação inicial também considerou a possibilidade de desavenças entre a vítima e um casal, porém essa hipótese foi descartada. As informações sobre a participação de Matheus no crime foram fundamentais para o andamento do processo, que agora se aproxima de uma conclusão.