Advogados realizam manifestação em apoio a colega preso por suposto vazamento de informações

Um grupo de advogados se reuniu no Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande, em defesa do advogado Amilton Ferreira, preso por suspeita de vazar informações [...]

Na manhã desta quarta-feira (30), advogados se reuniram no Fórum Heitor Medeiros, localizado em Campo Grande, para demonstrar apoio ao advogado Amilton Ferreira de Almeida, que foi preso no dia anterior sob a suspeita de vazar informações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A prisão de Amilton ocorreu em meio às investigações da Operação Infiltrados, que resultou na detenção do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, ocorrida na última quinta-feira (24).

Amilton Ferreira foi alvo de um mandado de prisão temporária que tem validade de 30 dias e, conforme informações, ele passa por audiência de custódia nesta quarta-feira. Durante a manifestação, advogados criminalistas expressaram sua preocupação com as implicações da prisão, que, segundo eles, representa um risco significativo à atuação da classe. A advogada Damares Machado ressaltou que a detenção do colega pode ser vista como uma forma de criminalização da advocacia.

Damares também mencionou que a Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) deve participar do ato de apoio. Na terça-feira (29), a defesa de Amilton protocolou um pedido de suporte institucional junto à OAB-MS. A situação gerou um clima de mobilização entre os advogados, que temem que ações como essa possam ameaçar a liberdade profissional da advocacia.

Amilton Ferreira atuava na defesa do delegado Hoffman D’Ávila, que é acusado de liderar um esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). O delegado se apresentou na quinta-feira, acompanhado de seu advogado, que agora enfrenta sérios problemas legais. A prisão de Amilton ocorreu durante a Operação Obstructio, um desdobramento da Operação Infiltrados, que apura o vazamento de informações sigilosas durante a execução de mandados na semana anterior.

A defesa de Amilton afirmou que não existem provas concretas que justifiquem a prisão e protocolou um pedido de liberdade. Ao acessar os autos do processo, a defesa constatou a falta de evidências que comprovassem o suposto vazamento de informações. As investigações em questão tiveram início em outubro de 2025, revelando um esquema onde policiais civis estariam desviando drogas apreendidas para reinserí-las no mercado ilegal.

Entre os métodos utilizados para o desvio, destaca-se a omissão de registros formais que poderiam contabilizar a totalidade das drogas apreendidas, além da subtração direta de entorpecentes dos depósitos policiais. Parte das drogas desviadas era repassada ao traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como 'LK', que utilizava uma construtora para legalizar os recebimentos oriundos do tráfico.

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