Dois médicos, Robson Rooselvelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, estão sob investigação por supostos desvios de R$ 4 milhões em contratos de saúde e enfrentam uma execução judicial devido a uma dívida de R$ 70.013,58 com a instituição financeira Sicoob. A Policlínica Rota Bioceânica, antiga Prontomed, da qual são proprietários, está no centro de um esquema identificado pela Operação Auditus II, deflagrada no início de agosto pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).
A Operação Auditus II, que ocorreu no dia 13, revelou que a clínica de Robson e Bianca estaria envolvida no recebimento de pagamentos por exames que não eram realizados, caracterizando um possível desvio de recursos públicos. Durante o período em que as fraudes eram cometidas, a clínica utilizou um cheque especial com limite de R$ 50 mil e acumulou um saldo devedor de R$ 14.640,25, elevando a dívida total a R$ 70.013,58.
A juíza da 1ª Vara de Jardim, Flávia Simone Cavalcante, havia determinado que os médicos quitassem a dívida em um prazo de 15 dias antes de suas prisões, realizadas no início de agosto. A decisão judicial se deu em um contexto de investigações que apontam a participação de Robson e Bianca em um esquema de corrupção que envolve ex-secretários da saúde e do governo da Prefeitura de Nioaque.
Os médicos, juntamente com a gerente administrativa Tatiane Barbosa de Souza Grubert, são acusados de colaborar com os ex-secretários Márcia Cristiane Missioneira Jara e Vagner Alves Ribeiro Guimarães para garantir contratos favoráveis à Policlínica. De acordo com a investigação, a Prontomed teria se envolvido na elaboração de propostas que simulavam competição, favorecendo sua própria contratação. Documentos apresentados indicam a falsificação de assinaturas de pacientes, registros duplicados e até a inclusão de pessoas falecidas nos atendimentos.
Após a formalização dos pagamentos pela Prefeitura de Nioaque, os médicos realizavam movimentações financeiras consideráveis a partir da conta da clínica, transferindo valores para Tatiane Grubert, que sacava quantias ou realizava novas transferências. As investigações mencionam repasses de valores que variam entre R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil, levantando suspeitas sobre a integridade do manejo dos recursos públicos.
O desenrolar dessas investigações e os processos judiciais instaurados visam não apenas responsabilizar aqueles envolvidos, mas também restituir os recursos desviados, em um esforço para garantir a transparência e a legalidade na gestão pública.