Proprietário de lanchonete enfrenta ameaças após morte de jovem em Campo Grande

Após a morte de David Kauã, de 23 anos, o dono da lanchonete Ailton Lanches relata ataques e boicotes nas redes sociais, atribuídos a uma [...]

A morte de David Kauã, de 23 anos, em Campo Grande, gerou uma série de repercussões que afetaram drasticamente a vida de Ailton José, proprietário da lanchonete Ailton Lanches, localizada no bairro Zé Pereira. Kauã faleceu em 31 de agosto devido a meningite bacteriana, e sua família suspeita que a origem da infecção esteja relacionada a um lanche consumido dias antes de sua morte.

Em entrevista, Ailton compartilhou que, após a divulgação do caso, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais, incluindo boicotes e ameaças. Ele afirmou: “Acabaram com minha vida e diante das acusações infundadas e do julgamento precipitado preciso vir a público para restabelecer a verdade”. O empresário atribui o início dessa onda de hostilidade a uma publicação feita pela sogra de Kauã, que insinuou que o lanche teria causado a doença, omitindo informações que ele considera essenciais para entender a situação.

Ailton expressou seu pesar pela morte do jovem e afirmou que lamenta profundamente a perda. Contudo, ele nega qualquer relação entre os alimentos que vende e a morte de Kauã. “Sou pai e crio o meu filho de 6 anos sozinho. Faço questão de ressaltar que o mesmo alimento que sirvo aos meus clientes é o que coloco na mesa para o meu filho jantar diariamente. Jamais colocaria a vida de ninguém em risco”, declarou.

Além disso, Ailton mencionou que, um dia antes do falecimento, a esposa de David informou que ele havia contraído uma infecção hospitalar, o que levou o jovem a buscar atendimento em diferentes unidades de saúde durante cinco dias. Para ele, essa informação não foi considerada na postagem que desencadeou as ameaças e ataques ao seu estabelecimento. “A postagem omitiu completamente que, durante cinco dias, o jovem ficou peregrinando entre um posto de saúde e outro em busca de atendimento”, ressaltou.

Ailton também afirmou que não recebeu qualquer contato da família ou de terceiros após a venda do lanche, e que soube dos problemas apenas através de rumores. Especialistas em saúde pública destacam que o gênero de bactéria do grupo viridans não é uma manifestação comum de doenças transmitidas por alimentos, e que para atribuir a meningite ao lanche seria necessário um exame mais aprofundado.

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) informou que casos de suspeita de morte por infecção são submetidos a uma avaliação médico-legal, e o corpo é encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) conforme os protocolos vigentes. A instituição, no entanto, não comenta casos específicos em respeito ao sigilo dos pacientes e à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

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