A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 41 anos, manifestou seu descontentamento após a soltura do médico de 78 anos, ocorrida na última quinta-feira (20) em Campo Grande. Fabíola foi encontrada morta com um disparo na cabeça em sua residência em maio deste ano. A família não concorda com a decisão da Justiça que permitiu a liberdade do médico.
Em nota, os familiares de Fabíola afirmaram que "respeitar uma decisão não significa concordar com ela" e destacaram que o médico não está sob monitoramento eletrônico. O profissional da saúde havia sido preso na sexta-feira (14), após uma determinação da 2ª Vara da Justiça de Campo Grande, que apontou indícios de sua autoria na morte da fisioterapeuta. Contudo, no dia seguinte, a defesa contestou a prisão, alegando que o inquérito ainda estava em andamento.
O inquérito foi finalizado em 18 de agosto, confirmando que Fabíola foi vítima de feminicídio, afastando a hipótese de suicídio. Em seu comunicado, a família expressou seu "profundo inconformismo e indignação" com a decisão que resultou na soltura do investigado. Eles reafirmaram seu respeito pela independência do Poder Judiciário, mas reiteraram que não concordam com o veredicto.
Fabíola foi encontrada morta em sua casa, localizada na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A fisioterapeuta residia com o marido, que acionou a polícia, alegando que a esposa teria cometido suicídio. Quando as autoridades chegaram, o corpo já havia sido constatado pelo Corpo de Bombeiros.
De acordo com o que foi relatado pelo médico na ocasião, Fabíola tinha realizado sua rotina matinal e, em um momento, subiu para o andar superior da residência, onde se localizava o quarto do casal. Ele afirmou que, estranhando a demora da esposa, decidiu verificar o que estava acontecendo. Ao chegar ao quarto, encontrou a porta fechada.
A prisão do cardiologista foi determinada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, após a conclusão das investigações que descartaram a hipótese de suicídio. Na quinta-feira (20), o médico foi solto após análise de habeas corpus, e a defesa, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, reiterou a inocência de seu cliente.