Desembarque de Rebeldes em Jupiá: um Capítulo da Revolução de 1924

Em 17 de agosto de 1924, uma tropa rebelde liderada por Juarez Távora desembarcou em Jupiá, em uma ação militar que buscava desestabilizar o governo [...]

Após serem derrotados em São Paulo, os rebeldes do governo de Arthur Bernardes direcionaram suas atenções para o Estado de Mato GROSSO. A estratégia inicial deles era seguir pela estrada de ferro Noroeste, mas, percebendo a presença de forças governistas em Três Lagoas, optaram por desviar para a estrada de ferro Sorocabana, com destino ao porto Epitácio, localizado às margens do rio Paraná. Devido à falta de estradas adequadas para adentrar o território sul-mato-grossense, os insurgentes decidiram tomar Três Lagoas, dominando a via férrea para avançar rumo ao oeste.

No dia 17 de agosto de 1924, sob o comando de Juarez Távora, os rebeldes desembarcaram no porto Jupiá, próximo a Três Lagoas. A tropa de Juarez contava com 570 homens, muitos dos quais eram imigrantes alemães e italianos, que haviam sido prometidos terras após a vitória. Enfrentando um calor intenso e sem provisões, os soldados avançaram, mas logo foram localizados por uma patrulha governamental, resultando em troca de tiros.

Após acamparem à beira de um pequeno regato para saciar a sede, mas não a fome, a coluna de Juarez prosseguiu em direção à cidade. Ao se aproximarem dos arredores de Três Lagoas, foram recebidos por intensos disparos das metralhadoras inimigas. Ordens foram dadas em português, italiano e alemão, e os rebeldes avançaram, superando algumas trincheiras adversárias em meio a campos repletos de capim seco.

Os insurgentes conseguiram romper o flanco direito das forças legalistas, enfrentando um fogo cruzado. Apesar da resistência dos governistas, os rebeldes conseguiram tomar posições estratégicas, incluindo a cozinha do acampamento inimigo, o que proporcionou alimento para muitos deles. Durante o combate, Juarez Távora, que liderava o batalhão, enfrentou a perda de um terço de seus homens, incluindo suas duas Seções de Metralhadoras Pesadas.

Esse evento faz parte da complexa HISTÓRIA da formação do Estado de Mato GROSSO do Sul, que remonta ao século XIX. O rompimento entre setores da elite política do Sul do Estado culminou em diversas revoltas e conflitos, incluindo a “Revolução da Paz” e a guerra civil paulista de 1932. A trajetória histórica do estado é abordada no livro "HISTÓRIA da FUNDAÇÃO de Mato GROSSO do Sul", de Sergio Cruz, que celebra 110 anos de HISTÓRIA e o Jubileu de Ouro da lei complementar 31/77.

Com 314 páginas, a obra busca esclarecer os desdobramentos que levaram à criação do Estado de Mato GROSSO do Sul e suas implicações na política e sociedade locais.

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