O mercado imobiliário brasileiro encontra-se em um momento de transformação, onde a necessidade de adaptação se torna evidente para empresas do setor. Apesar da demanda por imóveis continuar em alta em várias áreas, o cenário é desafiador, marcado por juros elevados, mudanças nas fontes de financiamento e aumento dos custos operacionais. Nesse contexto, especialistas apontam que as fusões e aquisições (M&A) podem se tornar uma estratégia importante para que as empresas fortaleçam suas operações, reduzam custos e ampliem a capacidade de investimento.
Luciano Mestrich, CEO da Monitori e especialista em finanças corporativas, enfatiza que o movimento de consolidação não deve ser restrito apenas a grandes grupos. Empresas de médio porte, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades em manter margens ou obter crédito em condições competitivas, podem ver nas operações de fusão e aquisição uma alternativa viável para preservar valor e continuar seu crescimento. Mestrich afirma que "crescer pode significar unir competências, compartilhar estruturas e ganhar escala", destacando que as M&A estão se tornando uma necessidade em um ambiente econômico desafiador.
A questão do custo do capital se destaca como um dos principais desafios para o setor até 2026. Durante debates realizados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), lideranças do setor ressaltaram que a manutenção dos juros em patamares elevados pressiona as incorporadoras e investidores, exigindo uma maior eficiência financeira e operacional. Mestrich observa que, quando o financiamento se torna mais caro, as empresas buscam soluções que minimizem riscos e ajudem a diluir despesas fixas.
"Uma empresa que opera sozinha precisa financiar estrutura administrativa e enfrentar custos elevados, enquanto aquelas que se unem podem compartilhar esses encargos", explica Mestrich. Ele destaca que o ambiente atual demanda uma abordagem mais colaborativa, onde a consolidação pode ser vista não apenas como uma oportunidade de crescimento, mas como uma estratégia essencial para a sobrevivência no setor.
Os próximos anos devem favorecer empresas que consigam aliar gestão financeira sólida, boa governança e capacidade de adaptação. Mestrich conclui que a consolidação é uma resposta à crescente seletividade do mercado, tornando-se parte fundamental da estratégia para garantir competitividade e sustentabilidade a longo prazo.
Luciano Mestrich Motta, com 28 anos de experiência no mercado, atua como CEO da Monitori e possui expertise em auditoria financeira, avaliação de empresas e gestão de ativos, além de ter participado de operações de venda de ativos e abertura de capital (IPO).