Na manhã da última terça-feira (28), uma agrônoma de 38 anos enfrentou uma situação de importunação sexual enquanto participava de um treino de crossfit em Dourados, localizado a 225 quilômetros de Campo Grande. O incidente ocorreu por volta das 5h50, quando a vítima e outras três mulheres realizavam uma corrida em volta da quadra, prática comum entre o grupo. Durante a atividade, um ciclista se aproximou e tocou de forma inadequada a agrônoma, causando grande constrangimento.
A situação foi registrada por câmeras de segurança, e as imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais. Em entrevista, a agrônoma relatou que, em um momento de distração, não conseguiu desviar do ciclista, que se aproximou rapidamente. "Foi constrangedor. Normalmente eu desvio quando vejo alguém, mas foi tudo muito rápido. Eu nem consegui ver o rapaz chegando", afirmou a vítima.
Após o ocorrido, a mulher chegou ao box de crossfit visivelmente abalada e chorando. Imediatamente, colegas e o professor se mobilizaram para tentar localizar o suspeito, mas não tiveram sucesso. A agrônoma registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Atendimento à Mulher (Dam), expressando sua tristeza por se tornar parte das estatísticas de importunação sexual. "Fiquei abalada emocionalmente, triste por fazer parte das estatísticas de casos de importunação sexual", destacou.
A agrônoma refletiu sobre a gravidade da situação, pensando em outras mulheres que podem ter passado por experiências ainda mais traumáticas. "Fiquei pensando naquelas mulheres que nem tiveram chance de escapar e acabaram sofrendo abusos ainda piores. Mas, depois de orar e pedir a Deus pelo conforto, eu percebi que não podemos nos acovardar. Temos o direito de viver!", declarou.
O incidente gerou discussões sobre a segurança das mulheres durante atividades físicas, levando a equipe do crossfit a buscar alternativas para tornar os treinos de corrida mais seguros. "Lá no box, a galera me acolheu; estão pensando em outras formas de deixar os treinos de corrida ainda mais seguros. Estou recebendo muito apoio de outras pessoas, homens e mulheres que também estão inconformados com essa situação", disse a agrônoma, ressaltando a necessidade de um ambiente seguro para todas as praticantes.
Além de relatar a experiência, a vítima também mencionou a importância do suporte e do acolhimento oferecido por sua equipe. Ela destacou que, apesar do ocorrido, é fundamental que as mulheres se sintam encorajadas a continuar praticando esportes e atividades físicas sem medo. O caso traz à tona a urgência de um debate sobre a violência contra a mulher e a necessidade de medidas efetivas para garantir a segurança em espaços públicos e durante atividades esportivas.