A nova sobretaxa de até 12,5% imposta pelos Estados Unidos, anunciada na tarde de quinta-feira (23), gerou reações imediatas entre os países afetados. A medida, que entrou em vigor à 00h01 no horário de Washington (01h01 no horário de Brasília) desta sexta-feira (24), é uma resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa tarifa se aplica aos 60 principais parceiros comerciais dos EUA, que representam 99,4% das importações americanas, incluindo Brasil, China e União Europeia, com alíquotas que variam de 10% a 12,5%.
O Brasil, sujeito à sobretaxa máxima de 12,5%, prontamente rechaçou a medida. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que o governo brasileiro acionará a Lei da Reciprocidade. A nota destaca que as tarifas foram consideradas arbitrárias e injustificadas, e que o Brasil levará a questão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro ainda argumenta que a manipulação de temas relacionados aos direitos humanos por parte do USTR é inadequada, enfatizando que o Brasil é signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A União Europeia também se manifestou sobre a nova tarifa. Um porta-voz da Comissão Europeia declarou que a entidade vê com bons olhos a oportunidade de discutir as tarifas impostas, mencionando a possibilidade de um diálogo para resolver a questão. A União Europeia, assim como o Brasil, considera que a medida é desproporcional e prejudicial ao comércio.
Na Nova Zelândia, o primeiro-ministro Christopher Luxon expressou decepção com a sobretaxa de 12,5%, classificando-a como injustificada e prejudicial ao comércio. Luxon destacou que a investigação realizada pelos EUA não trouxe evidências substanciais que sustentassem as alegações de trabalho forçado, afirmando que tarifas não são a solução para as questões comerciais.
Singapura também se posicionou em relação à sobretaxa, com o Ministério do Comércio e Indústria reiterando sua posição contrária ao uso de trabalho forçado. O governo de Singapura afirmou que continuará a dialogar com o USTR para encontrar alternativas à medida.
Por sua vez, o México foi afetado por uma sobretaxa de 10%. O secretário de Economia, Marcelo Ebrard, informou que mais de 80% das exportações mexicanas para os Estados Unidos estarão isentas da nova tarifa, devido ao acordo comercial entre EUA, México e Canadá. Essa informação alivia parte da pressão sobre a economia mexicana, que já enfrenta desafios em meio a um cenário internacional complicado.