A recente decisão do Consórcio Guaicurus de deixar a operação do transporte coletivo em Campo Grande, após 14 anos, gerou uma série de reações por parte dos empresários do conglomerado. Eles contestaram as alegações de sucateamento do serviço e a situação caótica enfrentada pelos usuários diariamente, como reportado em diversas ocasiões.
Os representantes do Consórcio Guaicurus isentaram-se de qualquer descumprimento contratual, afirmando que a Prefeitura de Campo Grande, como Poder Concedente, não cumpriu com as obrigações previstas, que incluem a implementação de corredores, a construção de mais terminais e a revisão contratual. Contudo, a concessionária admite não ter cumprido a cláusula que exige a contratação de seguro de responsabilidade civil desde 2020, resultando em uma multa acumulada de R$ 12 milhões.
Atualmente, a prefeitura exige que metade da frota do Consórcio Guaicurus, composta por 460 veículos, seja renovada, uma vez que 235 deles ultrapassaram o limite de idade estipulado no contrato. Essa situação gerou reclamações tanto do Poder Público quanto dos usuários, que são frequentemente vistos utilizando guarda-chuvas dentro dos ônibus devido às condições precárias.
A falta de revisão contratual, segundo os empresários, é um dos principais obstáculos para a renovação da frota. Eles afirmam que a ausência dessa revisão em 2019 e a prevista para 2026 comprometeram a saúde financeira da concessão. Apesar dessas alegações, uma perícia homologada pela Justiça revelou que os donos do Consórcio Guaicurus obtiveram um lucro de R$ 68 milhões nos primeiros sete anos de operação.
Além disso, um parecer recente do Ministério Público confirmou que não há justificativa para um aumento na tarifa técnica, em meio a um processo judicial onde os empresários tentam reivindicar mais recursos públicos. A empresa também reconheceu que não tem realizado manutenções preventivas, o que é evidente com as recorrentes quebras e incêndios de ônibus em Campo Grande, embora afirme que a falta de recursos não afetou as manutenções corretivas.
O documento enviado pelos empresários menciona que eles utilizam a ameaça de colapso do sistema para pressionar por aumentos nas tarifas, além de exigir reajustes financeiros ao Executivo municipal. O Jornal Midiamax, em respeito aos princípios de imparcialidade, sempre busca ouvir a versão do Consórcio Guaicurus antes da publicação de informações a seu respeito. No entanto, as respostas frequentemente chegam apenas após a veiculação das matérias.