O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, declarou que o Brasil prioriza a diplomacia em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, que entram em vigor nesta quarta-feira (22). A afirmação veio após um pedido do setor nacional de máquinas e equipamentos para que o Governo Federal não utilize a Lei da Reciprocidade para compensar as perdas decorrentes do tarifaço americano.
A Lei da Reciprocidade permite que o Brasil adote medidas comerciais e diplomáticas em resposta a barreiras impostas por outros países. Essas medidas podem incluir novas tarifas ou a suspensão de acordos e patentes. Alckmin destacou que a implementação dessa lei não visa retaliação, mas sim a correção de injustiças. "Olho por olho pode fazer os dois ficarem cegos. Queremos corrigir isso com os instrumentos adequados no momento certo", afirmou após reunião com representantes do setor.
Os novos encargos incluem uma taxa de 25% sobre máquinas e outros produtos brasileiros que não foram isentos pelo governo dos EUA. Essa taxa se junta a um histórico de medidas semelhantes, que foram suspensas em fevereiro deste ano.
José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), manifestou sua oposição ao uso da Lei da Reciprocidade, argumentando que a solução para o problema é a negociação e não a retaliação. Velloso enfatizou a importância de continuar as abordagens diplomáticas e empresariais, evitando a aplicação da lei, que requereria consultas públicas.
Durante uma audiência pública em Washington, o órgão de comércio dos Estados Unidos (USTR) recebeu apoio de entidades e empresas americanas em relação à posição do Brasil. Velloso também ressaltou que o setor de máquinas e equipamentos registrou um crescimento de 12% nas exportações nos últimos doze meses, mesmo diante das dificuldades com seu principal mercado.
Na reunião, a Abimaq propôs alternativas ao tarifaço, sugerindo a redução de custos internos que encarecem os produtos brasileiros. Entre as medidas discutidas estão a diminuição de tributos que impactam a cadeia de produção e a ampliação do acesso ao crédito e seguros. A devolução de impostos pagos por exportadores, conhecida como drawback, também foi apresentada como uma solução viável.