A Câmara de Dourados, situada a 236 km de Campo Grande, anunciou que irá aguardar o desfecho das investigações referentes aos contratos mencionados na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no dia 7 de julho. A operação investiga suspeitas de fraudes que envolvem aproximadamente R$ 27 milhões em contratos de aquisição de livros e serviços na rede pública de Saúde no Estado.
As investigações indicam que um grupo criminoso condicionava a autorização de procedimentos médicos, como exames e cirurgias, à compra de livros fornecidos pela empresa investigada. Além de Dourados, outros 16 municípios de Mato Grosso do Sul estão sob análise devido a contratos suspeitos com a Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais LTDA, também conhecida como Editora Avante.
O Gaeco identificou que a Prefeitura de Dourados realizou três transferências para a Editora Avante entre os anos de 2022 e 2023, totalizando quase R$ 8 milhões. Diante da gravidade das acusações, a Câmara de Dourados foi questionada sobre as medidas que serão tomadas após a operação, especialmente considerando que mandados de busca e apreensão foram cumpridos na cidade no mesmo dia da ação.
Na última sexta-feira (17), foi revogada a prisão do servidor público municipal Geancarlo Leal de Freitas, que estava vinculado ao caso. Em resposta às indagações, a Câmara destacou que está atenta ao progresso das investigações para decidir quais ações serão adotadas pelo Poder Executivo, que foi responsável pelas contratações durante a gestão anterior.
Os representantes da Câmara afirmaram que a prioridade é esperar a conclusão das apurações para verificar a ocorrência de irregularidades dentro da administração municipal. Sobre a possibilidade de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a Câmara de Dourados esclareceu que é necessário haver uma denúncia formal ou proposta relacionada a um fato específico para que essa medida seja considerada.
A Operação Gutenberg tem como objetivo desarticular uma organização criminosa acusada de envolvimento em fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo, que atuava em Campo Grande, também tinha ramificações em várias cidades do Estado, gerando preocupação em relação à integridade da administração pública na região.