ONU alerta para a grave situação dos oceanos e a necessidade de ação imediata

Um relatório da ONU revela que a saúde dos oceanos se deteriorou, exigindo resposta urgente de governos e comunidades. O estudo destaca o aumento da [...]
Imagem ilustrativa. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 8 de outubro, aponta que a condição dos oceanos é alarmante, exigindo uma resposta coordenada e urgente entre governos, pesquisadores, setores privados, organismos multilaterais e comunidades costeiras. O estudo, que faz parte do terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3), envolveu mais de 550 cientistas de 86 países, com dados que abrangem o período de 2018 a 2023.

Entre as preocupações levantadas no WOA-3, destaca-se a deterioração de diversos indicadores críticos da saúde oceânica desde a última edição, publicada em 2022. O relatório revela que fenômenos como aquecimento, elevação do nível do mar, perda de gelo polar, diminuição da biodiversidade, sobrepesca e poluição marinha se agravaram. Esta edição é a mais abrangente desde que a série de relatórios foi iniciada em 2017.

O documento ressalta o deslocamento de espécies marinhas em busca de águas mais frias, além dos impactos crescentes das ondas de calor marinhas sobre a pesca e a crescente vulnerabilidade das comunidades costeiras que dependem do oceano. O professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos coautores do relatório, enfatiza que o oceano desempenha um papel crucial na mitigação da crise climática, mas os sinais de estresse se tornam cada vez mais evidentes, prejudicando sua capacidade de regular o clima.

Entre os impactos identificados para o Brasil, estão a maior vulnerabilidade das áreas costeiras, os riscos para cidades litorâneas, a pressão sobre a pesca e o aumento de eventos climáticos extremos associados ao Atlântico tropical. O professor Christofoletti destaca que fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando frequentes, com potenciais consequências para a pesca, os recifes de coral e as populações que habitam as áreas costeiras.

O WOA-3 indica que o oceano entrou em uma fase de aquecimento acelerado e que eventos climáticos extremos têm ocorrido com maior frequência no ambiente marinho nos últimos anos. A pesquisa também revela uma expansão significativa dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. O relatório anterior mencionava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, enquanto o novo estudo aponta que mais de 4 mil espécies estão impactadas.

Além disso, a poluição plástica deixou de ser um problema restrito às áreas costeiras e se tornou uma ameaça crescente à biodiversidade, à segurança alimentar e à saúde ambiental global. Christofoletti observa que no Brasil, essa questão está diretamente ligada a problemas como saneamento inadequado, resíduos urbanos e contaminação de praias e rios.

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