A Câmara de Vereadores de Campo Grande sinalizou que estará ao lado da prefeita Adriane Lopes (PP) caso ela opte pela intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), após uma comissão do Executivo ter sugerido essa medida, motivada por diversas falhas identificadas na execução da concessão do transporte coletivo.
"Nós, da Câmara, faremos o nosso papel de apoiar a decisão do Executivo, porém vigilantes e fiscalizando sempre o serviço de transporte público", declarou Papy. A decisão sobre a intervenção no contrato está sob a responsabilidade da prefeita, que deverá anunciar sua escolha na próxima sexta-feira, dia 12. Durante uma coletiva, realizada na quarta-feira, dia 10, a prefeita rejeitou a proposta do Consórcio Guaicurus de receber mais recursos públicos.
Em suas declarações, Adriane Lopes questionou a postura do consórcio, que possui 235 ônibus a serem substituídos. "Como é que eu aporto mais recursos quando está frágil o tratado, o acordo que foi celebrado com o poder público municipal?", indagou a prefeita, enfatizando sua preocupação com a situação atual da concessão.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Consórcio Guaicurus, que atuou em 2025, já havia recomendado a intervenção no contrato milionário, apontando diversas irregularidades, como a deterioração da frota e os frequentes atrasos nos serviços. Papy comentou sobre a intervenção, reconhecendo suas preocupações quanto à capacidade técnica do município em gerenciar uma empresa de transporte diante dos desafios existentes e a possibilidade de um serviço ainda mais insatisfatório para os usuários.
Ele também recordou tentativas anteriores de venda do Consórcio Guaicurus, que acreditava serem uma solução viável, mantendo a gestão nas mãos da iniciativa privada, que, segundo ele, teria mais experiência na administração do transporte público.
A decisão da comissão da Prefeitura em recomendar a intervenção no Consórcio Guaicurus foi influenciada por mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e um aumento significativo no índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que saltou de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025. Além disso, foi revelado que, no ano anterior, 81 ônibus foram interditados pelo município devido a irregularidades.